A dança das bolas brancas
A dança das bolas brancas
Marcos Losnak
Especial para a Folha2
A imagem do malabarista como artista puramente técnico vem sendo cada vez mais colocada de lado. O melhor exemplo disto está nas companhias francesas Non Nova e Les Apostrophés presentes no Festival Internacional de Londrina 98.
Dividindo o mesmo palco com dois espetáculos distintos, Le Grain e Non Nova, as companhias trabalham com o malabarismo com bolas e trilha sonora executadas ao vivo. Os músicos, bem como as músicas, funcionam como verdadeiros personagens coadjuvantes. A interação entre músico e malabarista estabelece um diálogo entre ambos. Trocam o virtuosismo pela beleza.
Le Grain, da companhia Non Nova, trabalha com o humor utilizando pequenos subsídios da técnica de clown. O malabarista Philippe Ménard assume o papel do personagem pequeno e franzino e o músico Guillaume Hazebrouck o papel do forte e grande. Com este antagonismos físicos, os conflitos são evidenciados e as harmonias ganham maiores dimensões.
A Corps, da companhia Les Apostrophés confere novos argumentos aos trabalhos pautados em malabares. O malabarista Martin Schwietzke se relaciona com as bolas como se elas fossem uma extensão de seu corpo. Elas assumem a imagem de um atencioso interlocutor. Corpo e bolas integram-se numa dança pautada em sutilezas poéticas. A harmonia é procurada nas situações mais corriqueiras, cotidianas.
Na sequência em que os espetáculos são apresentados, Le Grain seduz o público, seja ele grego ou troiano, com o bom humor. Apresentado em seguida, A Corps, mais longo, subverte o referencial constituído pelo humor exigindo um outro tipo de entendimento. Entendimento este que está sedimentado na contemplação silenciosa da busca de um suposto equilíbrio.





