A DANÇA DÁ UM PASSO À FRENTE
Vivian de Albuquerque
Depois da notícia da instalação do Ballet Bolshoi em Joinville, divulgada na abertura do 17º Festival de Dança, uma outra novidade deve movimentar, no prazo de no máximo um ano, o mercado da dança também em Curitiba. Já está na cidade o americano Richard Cragun. Ex-diretor da Ópera de Berlim, a idéia dele é criar aqui uma companhia e uma escola de dança contemporânea, bem aos moldes europeus.
Com o nome de De Anima, título que tanto no latim, quanto no grego, fala em espiritualidade, corpo e alma, tanto a escola, quanto a companhia, deverão funcionar como um centro de pós-graduação para bailarinos não só de Curitiba, mas de todo o Brasil e do mundo.
Acho que é muito importante a interferência de fora na formação dos bailarinos daqui, explica Cragun. Mas primeiro temos que explorar os talentos da terra. Os que forem bons, pretendo contratar imediatamente.
O bailarino e mentor da De Anima conta que pelo menos a presença de um casal de bailarinos de fora já está garantida no elenco. São eles a japonesa Tamako Akyama, e o português Pedro Goucha Gomes. Os dois já atuaram com Cragun na Alemanha, e quando a escola estiver pronta, provavelmente ainda no ano 2000, deverão trabalhar também por aqui, ajudando na formação da companhia, que abrigará pelo menos 30 grandes bailarinos, e da escola, que formará, por ano, cerca de 50 novos profissionais, no clássico, moderno e na mistura dos dois estilos.
O que nós queremos com essa mistura é explorar um lado muito pouco trabalhado no País, que é o da linha contemporânea, esclarece Roberto de Oliveira, outro dos bailarinos profissionais envolvidos no projeto. É um campo muito fértil, principalmente quando vemos que todas as companhias européias têm elementos brasileiros trabalhando com isso. O que queremos é resgatá-los, para que eles possam fazer o mesmo, só que aqui, no Brasil.
A audição para a escolha dos futuros alunos da escola de Cragun deverá ser feita em todos os estados brasileiros. E um dos maiores objetivos, segundo Everton Mesquita, futuro diretor executivo do grupo, é trazer novas perspectivas para os bailarinos e bailarinas mais experientes. Será como uma nova carreira, explica Mesquita. Hoje, nos grandes teatros, quando o bailarino chega aos 35 anos, acaba não tendo muito futuro. Ele se aposenta e vai ganhar no máximo dois ou três salários. E é pensando nisso que queremos oferecer a eles uma nova formação. Assim ele terá uma maior noção do seu potencial e de tudo mais que pode fazer dentro de um teatro.
Com recursos da Lei Rouanet, e com o apoio do governo do Estado, que cederá gratuitamente o espaço do antigo Colégio 19 de Dezembro, no Largo da Ordem, a escola e a companhia visaram Curitiba para a instalação principalmente por causa das oportunidades oferecidas. Entre elas, segundo Cragun, a própria falta de existência de companhias grandes no sul do País. Curitiba é um campo fantástico e neutro, explica ele. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro têm vários grupos atuando, aqui ainda há muito espaço e apoio dos governantes da área da cultura. Eu já trabalhei 38 anos na Alemanha. E meu sonho sempre foi o de criar uma companhia como esta. Na Europa, hoje, isso é economicamente muito difícil. A própria vinda do Ballet Bolshoi agora deve nos ajudar muito, porque precisaremos de muita gente com uma boa experiência no clássico.





