Curitiba - O governador eleito Roberto Requião (PMDB) ainda não anunciou oficialmente o próximo secretário da Cultura, mas já existem pelo menos quatro prováveis candidatos disputando a indicação. A pasta é uma das mais cobiçadas até o momento e também uma das que mais apresentam desafios. Para assumi-la os nomes mais fortes, cotados até então, são o do atual secretário municipal da Cultura de Londrina, Bernardo Pellegrini (sem partido); a ex-diretora da Secretaria da Cultura no último governo Requião (1991 a 1994) Vera Mussi (PMDB); o deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT) e o jornalista e advogado Cláudio Ribeiro (PPS).
Seja quem for o escolhido, o próximo secretário vai ter que dar um destino apropriado para as dezenas de obras que estão sendo reformadas nessa gestão e decidir se a Organização Social (OS), bandeira levantada pelo governador Jaime Lerner (PFL) para salvar a estrutura financeira de instituições como o Canal da Música e o Teatro Guaíra, seria mesmo a melhor saída.
O novo secretário também terá que dar um destino (e um desfecho) para a Lei Estadual de Incentivo à Cultura, que tramita há cinco anos e saiu do papel há apenas um mês, apresentando diversas falhas, como já admitiu a atual secretária de Cultura Mônica Rischbieter.
A criação da lei, aliás, é o que alavancou a escolha do candidato petista Ângelo Vanhoni. O deputado estadual assinou o primeiro projeto de lei de incentivo municipal, conhecida como Lei Vanhoni e que inspirou a atual legislação. O deputado de 47 anos nasceu em Paranaguá, no Litoral do Estado. É formado em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e tem mais de 20 anos de atividade política.
Também cursou, sem concluir, o curso de Filosofia na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC), quando apoiou a luta pela organização das entidades estudantis livres e pela defesa de melhores condições de ensino. Na ditadura, participou dos movimentos pela anistia e foi um dos fundadores do PT no Paraná.
Os petistas vêem com bons olhos a escolha do deputado para o cargo, mas ele tem evitado falar no assunto. Quando questionado, esquivou-se, mas até o momento nem negou nem confirmou a sua indicação. Conforme a Folha apurou, uma possível disputa à Prefeitura de Curitiba em 2004 estaria minando a possibilidade de Vanhoni aceitar um eventual convite. Até o fechamento dessa edição, o deputado não tinha atendido às inúmeras ligações para o celular feitas pela reportagem.
Já Bernardo Pellegrini e Vera Mussi estão mais abertos para falar do assunto. Negam o convite oficial, mas admitem que os nomes estão sendo cotados pelos companheiros de partido.
''Quero deixar bem claro que não estou postulando, quem está é o partido'', diz Vera Mussi, atualmente integrante do gabinete do vereador Paulo Salamuni (PMDB) na Câmara Municipal. Vera se filiou ao partido em 1980, quando integrava o grupo que discutia as diretrizes da educação. Em seguida passou a fazer parte do Comitê da Mobilização Feminina e se orgulha em dizer que foi uma das mulheres mais atuantes da política estadual na época.
Nascida em Castro (41 km ao norte de Ponta Grossa), ela se formou em História pela UFPR e atua como professora. Foi diretora geral da Secretaria da Cultura no governo Requião, quando a secretária era Gilda Polli. Foi quando deu início ao levantamento da cultura paranaense, projeto que promete retomar caso assuma a pasta na próxima gestão. ''Atualmente, a Secretaria da Cultura está muito voltada para Curitiba, o grande desafio da pasta é colocar a cultura paranaense à disposição de todo o Estado'', argumenta.
A mesma política é defendida pelo jornalista Bernardo Pellegrini, primo do escritor Domingos Pellegrini. Também escritor e compositor, Bernardo Pellegrini é reponsável pela Secretaria Municipal de Londrina. Ele diz que não recebeu nenhum convite formal para assumir a cobiçada secretaria estadual, mas já adianta o que faria caso tome posse na gestão de Requião. ''Acho um absurdo a cultura estar centralizada em Curitiba. Pelo menos 80% dos recursos da pasta estão voltados para a Capital'', salienta.
Se for escolhido para o cargo, promete reverter a situação, além investir em projetos multidisciplinares, integrando atividades de esporte, cultura e educação. ''Quem ocupar o cargo terá que assumir esse compromisso e colocar a cultura como prioridade na questão pública'', diz.
A descentralização também é colocada pelo jornalista Cláudio Ribeiro, 49 anos, como prioridade na gestão. Ele também ressalta que não houve convite formal e que seu nome foi levantado pelos parceiros do partido. ''Isso me envaidece porque seria a primeira vez que uma pessoa da classe artística iria assumir a pasta'', diz.
Ribeiro é presidente da União Brasileira de Escritores. Criou a Associação dos Compositores do Paraná e compôs enredos de escolas de samba para quase todos as escolas do Estado. Para ele, o principal obstáculo do próximo secretário da Cultura é transformar a pasta num instrumento de educação. ''A cultura não pode ser vista apenas nos limites da arte'', analisa.

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