Rio de Janeiro - Bibi Ferreira quer se desvencilhar de Edith Piaf. Aos 70 anos de carreira e a um de virar nonagenária, ela continua amando o repertório com o qual é identificada há quase 30 anos - o espetáculo que homenageia o ícone francês nasceu em 1983 e rende até hoje. Mas neste 2011 a cantora, atriz e diretora vai se dedicar mais ao cancioneiro brasileiro e norte-americano. Pela Biscoito Fino, está lançando o CD Bibi Ferreira Brasileira - Uma Suíte de Amor, gravado com Francis Hime ao piano, e com canções consagradas de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Baden Powell, Roberto Carlos, Adriana Calcanhotto, Cazuza, do próprio Francis e de outros compositores.
Mais para o meio do ano, talvez em junho, vai se voltar a clássicos saídos de musicais da Broadway, como Memory, de Cats, America, de West Side Story, e My Favourite Things, de A Noviça Rebelde. ''Será o momento de cantar músicas em inglês, de musicais que eu não fiz. Vou juntar com musicais que eu fiz, como My Fair Lady, Alô Dolly, Gota D'Água e Brasileiro, Profissão: Esperança'', contou Bibi.
''Uma das grandes razões de fazer um disco em português é tirar um pouco dessa marca da Piaf e da Amália Rodrigues (espetáculo de dez anos atrás que também teve vida longa). Foram 27 anos de Piaf. Já aconteceu de eu estar na Argentina cantando tango e gritarem: 'Canta Piaf!''', brinca Bibi, que gravou o CD pensando na neta, Cláudia, de 33 anos, que se casou no sábado. Na cerimônia, Bibi programou-se para dedicar aos noivos Eu Sei Que Vou te Amar.
O standard de Tom e Vinicius é um dos momentos lindos do CD: a voz de Bibi, a dramaticidade no ponto certo, o piano de Francis, o sax soprano de Dirceu Leite. ''Bibi é sensacional, uma artista completa. Ela gravou às vezes de primeira. Tem canções que a gente já imaginava na voz dela, mas outras, como Vambora, da Adriana, e Todo Amor Que Houver Nessa Vida, na qual ela fala a letra, não'', diz Francis.
''Eu queria canções carinhosas, de romance, e que estivessem dentro da minha tessitura popular'', diz Bibi.
Nascida em lar artístico, Bibi virou atriz ''por preguiça''. Só passou a ter real prazer com sua arte quando começou a cantar em cena. ''Quando estreei como protagonista, em 41, entrei como uma imbecil. Fui empurrada pelo meu pai. Eu era, eu sou muito preguiçosa. 'Deixa pra amanhã' é uma das minhas frases preferidas...'', ela se goza.
''Como não tinha profissão definida, virei atriz. Quando fiz My Fair Lady (em 1962), aí eu ia com prazer para o teatro. No palco, dou o que tenho de melhor. Ninguém me interrompe, ninguém diz: 'Bibi, telefone!'''
Ela não pensou nos 70 anos de carreira - pensaram por ela. Tampouco refletiu sobre os 90, em junho de 2012. ''O que são 90 anos? A única coisa que muda é que não tenho mais namorado. Como de tudo, bebo de tudo. Ontem mesmo tomei dois daikiris''.

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