A dama do sertão
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de outubro de 1998
André Bernardo Cult Press 
Até hoje, a escritora Rachel de Queiroz sofre do que costuma chamar de síndrome do pré-lançamento. Autora de livros famosos como O Quinze e Memorial de Maria Moura, ela não superou o nervosismo de ver um livro seu no prelo. Em relação a Tantos Anos, escrito em parceria com a irmã Maria Luiza, a expectativa é ainda maior. Afinal, trata-se de um livro de memórias, gênero que confessa não gostar. Eu sempre acho que as pessoas vão meter o pau no que escrevi, justifica.
Para concluir Tantos Anos, Rachel levou exatos sete anos de pesquisa entre o Rio e Quixadá, cidade a 154 quilômetros de Fortaleza, onde Rachel costuma se refugiar do caos urbano. Lá, relembrou momentos importantes da carreira, como o rompimento com o Partido Comunista, as inúmeras vezes em que foi presa e os bastidores do golpe de 64. Sobre a revolução, conto simplesmente a verdade. Era muito amiga dos generais e no sofá aqui de casa se conspirou muito, brinca.
Rachel admite que muita coisa ficou de fora de Tantos Anos, mas jura que este é o primeiro e último livro de memórias que escreve. Aos 87 anos, reitera a decisão que tomou em 1992, quando disse que só escreveria outro romance 15 anos depois de Memorial de Maria Moura. Não escrevo mais romance porque é muito cansativo e, para falar a verdade, muito chato também, sorri.
Por que você resistia à idéia de escrever uma autobiografia?


