Até hoje, a escritora Rachel de Queiroz sofre do que costuma chamar de síndrome do pré-lançamento. Autora de livros famosos como ‘‘O Quinze’’ e ‘‘Memorial de Maria Moura’’, ela não superou o nervosismo de ver um livro seu no prelo. Em relação a ‘‘Tantos Anos’’, escrito em parceria com a irmã Maria Luiza, a expectativa é ainda maior. Afinal, trata-se de um livro de memórias, gênero que confessa não gostar. ‘‘Eu sempre acho que as pessoas vão meter o pau no que escrevi’’, justifica.
Para concluir ‘‘Tantos Anos’’, Rachel levou exatos sete anos de pesquisa entre o Rio e Quixadá, cidade a 154 quilômetros de Fortaleza, onde Rachel costuma se refugiar do caos urbano. Lá, relembrou momentos importantes da carreira, como o rompimento com o Partido Comunista, as inúmeras vezes em que foi presa e os bastidores do golpe de 64. ‘‘Sobre a revolução, conto simplesmente a verdade. Era muito amiga dos generais e no sofá aqui de casa se conspirou muito’’, brinca.
Rachel admite que muita coisa ficou de fora de ‘‘Tantos Anos’’, mas jura que este é o primeiro e último livro de memórias que escreve. Aos 87 anos, reitera a decisão que tomou em 1992, quando disse que só escreveria outro romance 15 anos depois de ‘‘Memorial de Maria Moura’’. ‘‘Não escrevo mais romance porque é muito cansativo e, para falar a verdade, muito chato também’’, sorri.
Por que você resistia à idéia de escrever uma autobiografia?

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