A Curitiba eclética do início do século
Aberta até o dia 27 de junho na Casa Romário Martins, a mostra O Eclético na Arquitetura de Curitiba reúne cerca de 70 projetos arquitetônicos do início do século. Realizada pela Fundação Cultural de Curitiba com apoio da Associação Paranaense de Escritórios de Arquitetura (Aspea) e do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, a mostra foi organizada a partir do acervo da Casa da Memória.
Além do grande valor histórico, estes projetos servem de base para o trabalho de restauro das edificações ainda existentes na cidade. É um tipo de documentação essencial para que os arquitetos que conduzem o trabalho possam ser fiéis à concepção original das obras, afirma o arquiteto Eli Loyola Borges Filho, presidente da Aspea.
A exposição retrata uma tendência arquitetônica típica da Curitiba do início do século, denominada eclética por reunir, em uma mesma construção, elementos de estilos diferentes entre si. São residências que ostentam na fachada um beiral barroco e janelas art-nouveau, por exemplo, explica Milna Oliveira Leone, coordenadora do Projeto Patrimônio Histórico do Ippuc, órgão responsável pelo cadastramento dos imóveis considerados como unidades de interesse de preservação em Curitiba, bem como pela análise dos pedidos para sua utilização.
Segundo Milna, o valor destas edificações vai além da estética, mostrando a evolução sócio-cultural dos habitantes da cidade através das modificações sofridas pelas construções deste período, como a inclusão de instalações sanitárias no interior das casas e a adoção de novos conceitos em termos de circulação de ar e iluminação natural.
Estas construções mostram um pouco da história de uma cidade, que deve ser preservada a todo custo. É preciso que os arquitetos de Curitiba contribuam para a preservação, procurando ser generosos para com a memória. Quando isto acontece, os resultados são dignos de nota, como o trabalho realizado na sede da IBM, pelo arquiteto Oscar Mueller, ou o Shopping Street XV, em que o arquiteto Paulo Dines garantiu a integridade da fachada do edifício, ou ainda o conjunto arquitetônico que reúne três edificações coloniais italianas na Barreirinha, restaurado por Frederico Carstens, afirma.
Muitas pessoas associam o restauro à necessidade de um grande investimento, o que nem sempre é necessário, assegura Carstens. Nas casas da Barreirinha, por exemplo, o preço por metro quadrado foi equivalente ao valor médio de construção de uma residência de médio padrão, e o resultado foi a recuperação de um conjunto arquitetônico do início do século, típico das regiões da cidade em que predominavam os imigrantes italianos.
Construções vernaculares (construídas pelos próprios habitantes, sem mão-de-obra especializada) ajudam a dar uma idéia de como as famílias de imigrantes se estabeleceram na cidade. O paiol de alvenaria foi construído para abrigar uma fábrica de banha, sendo mais tarde transformado em abatedouro. As duas casas anexas a ele, uma de alvenaria e outra de madeira, talvez abrigassem o patriarca da família e uma filha casada, ou outro parente que ajudava nos negócios, explica.Mauro FrassonOs arquitetos Jorge Ribeiro Chagas, Luiz Bacoccini e Sabrina Slomp junto à Casa dos Anjinhos, comprada para ser recuperadaLize Kuster Gevaert
Especial para a Folha





