A cultura sai da escola
Zeca Corrêa Leite
O Colégio Bom Jesus está apostando no marketing cultural. Para manter maior aproximação com a comunidade, a instituição vem trabalhando gradativamente na área artística, nos últimos anos, mas agora a proposta é ser mais ambiciosa. Na quarta-feira à tarde a direção do colégio anunciou oficialmente a criação do Projeto Bom Jesus Cultural, e os eventos previstos para acontecerem em 1999.
Estiveram presentes na entrevista à imprensa o diretor do ensino médio especial do colégio, Ivan Kuster; o diretor de marketing, Guaraci Mercer: o produtor musical Zuza Homem de Melo, o maestro Plínio de Oliveira e Maria Christina de Andrade Vieira, diretora da Andrade Vieira Arte, Cidadania, empresa responsável pela execução dos eventos.
O Bom Jesus tradicionalmente promove palestras, debates, apresentações artísticas a nível interno. Com a criação do Teatro Bom Jesus, iniciou-se o processo de abertura à cidade. Investir em cultura não é tão caro como se pensa, comentou Mercer. Internamente nosso projeto é vitorioso. Agora, contamos com sustentação para passarmos à comunidade.
Maria Christina observou que um aspecto importante deste trabalho é a valorização do artista local. Mesmo a gravação de um CD com os Canarinhos de Petrópolis, que consta do Projeto Bom Jesus Cultural, tem arranjos e regência de Plínio de Oliveira, um dos valores paranaenses. Os músicos envolvidos também são da terra.
Plínio de Oliveira, aliás, conseguiu um tento raro - conseguiu puxar para os estúdios um dos grandes violonistas do Paraná, mas que por razões insondáveis, vive recluso: o Cabelo. Atrasamos a gravação, mas conseguimos a participação dele, diz.
ProgramaçãoOs eventos agendados para 1999 têm início neste domingo, às 11 horas, nas Ruínas de São Francisco, com o show Monólogos da Lua. O repertório é formado apenas por obras de Kurt Weill e George Gershwin. O maestro Flávio Stein assina a pesquisa e direção do espetáculo. Participam os cantores Fátima Castilho e Luís Lombardi e os instrumentistas: Jeff Sabag no teclado; Mário Conde na guitarra; Glauco Solter no baixo; Endrigo Bettega na bateria; Sérgio Albach no clarinete; Helinho Brandão no sax; Marco Xavier no trompete e Silvino Spoladore no trombone. Os arranjos são de Marco Aurélio Koentopp.
Dentro destes moldes, um novo show está marcado para o mês de outubro, também sob a direção de Flávio Stein. Dessa vez virá com um novo título, Ruas da Melancolia, Mesas de Sonhos. O repertório será formado apenas com tangos.
DiscosDois CDs serão lançados no segundo semestre: dos Canarinhos de Petrópolis, e do espetáculo Natal no Bosque, levado ano passado no Bosque do Papa. A montagem agradou tanto os produtores que eles decidiram fundir num só coral de nove vozes, os trios O Tao do Trio, As Noivas de Allfredo e As Três Marias. Sem data de lançamento.
Em agosto os Canarinhos de Petrópolis apresentam-se nas Ruínas e no Guairão, dentro das atividades do lançamento do disco. O coral conhecido nacionalmente - recentemente cantou com Milton Nascimento -, interpreta música popular brasileira.
O CD trará composições de várias épocas, como Gente Humilde, de Garoto, Chico Buarque e Vinícius de Moraes; Pastorinhas, de Noel Rosa e João de Barro; Ponta de Areia e Canção da América, de Milton Nascimento e Fernando Brant; Samba do Avião, de Tom Jobim; Vira Virou, dos irmãos Cleiton e Ramil; Sua Magestade, o Sabiá, de Roberta Miranda.
Em dezembro o Bosque do Papa volta a receber o espetáculo que emocionou as platéias em 98. Natal no Bosque terá cinco apresentações. E sob os sons natalinos encerram as atividades deste ano. Para o ano 2000, que marca os 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil, o colégio prepara uma grande programação, ainda mantida em segredo. O ano marca também os 500 anos da chegada do franciscanos ao país.





