Os ciganos estão andando, e não se importam em saber para onde. Certa vez, um aristocrata até perguntou: ''Mas, afinal, o que eles querem?, e ouviu a seguinte resposta: ''Ir até o fim do mundo e depois voltar.'' ''E é por isso que a culpa sempre é do cigano, porque ele está sempre de passagem'', diz a pesquisadora e escritora Cristina da Costa Pereira, que iniciou os estudos sobre esse povo errante ao perceber o preconceito e a desinformação em torno dele.
O resultado do seu interesse se chama ''Os Ciganos Ainda Estão na Estrada''. O livro mostra como, apesar da rejeição, esse povo está no inconsciente da cultura ocidental, que recebeu influências nas artes musical, literária, cinematográfica e circense.
O consenso entre os ciganólogos fala que eles surgiram no Noroeste da Índia (atual Paquistão) por volta de 1.500 a.C.
A dispersão, realizada por motivos pouco claros, começa entre 800 e 1000 d.C. Espalham-se pela Europa no século 15, onde depois enfrentariam a revolução industrial que afetou seu trabalho artesanal e o nazismo que matou meio milhão de ciganos. Hoje, segundo a Unesco, existem 17 milhões de ciganos no mundo, dos quais 2 milhões são nômades. No Brasil há 500 mil.
Cristina diz que a sobrevivência desse povo se deveu ao sistema familiar rígido e ao respeito às instituições. ''Eles têm forte religiosidade e são monoteístas, mas não existe uma religião cigana'', diz. ''Eles adotam a religião do país onde vivem e têm uma simpatia pelos santos católicos.
Uma das principais ciganólogas brasileiras, Cristina da Costa Pereira relata uma história curiosa: embora exista preconceito, o Brasil é o único lugar onde gadjés (não-ciganos) querem se passar por ciganos. A fraude é praticada por aqueles que praticam a quiromancia e a cartomancia, dois dos principais ofícios ciganos atuais ao lado da arte circense, da música, do artesanato e do comércio de cavalos.

- Os Ciganos Ainda Estão na Estrada
Autora - Cristina da Costa Pereira
Editora - Rocco
Quanto - R$ 25 (176 pág.)

mockup