A cultura caipira na viola instrumental
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Lá vai uma chalana/bem longe se vai/navegando no remanso/do Rio Paraguai. O trecho de Chalana, de Almir Sater, já é um clássico do cancioneiro nacional e resume bem a tradição regionalista presente nas crônicas musicais da viola caipira. Essa paixão rural ganhou os espaços urbanos e movimenta o Circuito Syngenta de Viola Instrumental, que prevê espetáculos cheios de prosa, do início de junho até o final de outubro, em dez cidades de seis Estados, inclusive o Paraná.
O Circuito Syngenta de Viola Instrumental tem recursos da Lei Rouanet e herda do 1º e 2º Prêmio Syngenta de Viola Instrumental, realizados em 2004 e 2005, respectivamente, o objetivo de fomentar e valorizar a cultura caipira e a viola instrumental, assim como suas muitas vertentes. Depois do mapeamento realizado com os prêmios, o grupo Syngenta resolveu criar um circuito para difundir o que foi captado em pesquisas, tanto em termos estéticos quanto de variedade de artistas em todo o Brasil.
A viola é nossa cítara, tem muito dessa coisa de descobrir, de aprender a tocar sozinho. Acredito no aprendizado da viola, mas não muito no ensino, explica o violeiro e artesão Levi Ramiro, sobre a difusão da viola caipira, que tem suas peculiaridades de acordo com a região. A viola, apesar de ter o padrão de dez cordas em todo o Brasil, tem formatos e afinações completamente diferentes, mesmo em locais muito próximos. Tudo depende da tradição e de como o músico conta suas histórias.
Essa característica rural de contar histórias, aliás, é o que vai ditar o formato dos espetáculos do circuito. Levi Ramiro vai servir como um cicerone nas diversas praças de shows, que vão contar com artistas relacionados com cada região. Vamos fazer prosas de viola, com causos, vamos falar sobre as afinações da viola. Isso serve também para quebrar a questão do show de viola instrumental intelectualizado, nota Ramiro.
Em Londrina e em Toledo, redutos tradicionais de viola caipira no Paraná e onde o circuito encerra as apresentações ao final de outubro, os representantes serão os violeiros Paulo Freire e André Siqueira. O Paraná tem muito dessa mistura da cultura do Sul, da influência gaúcha, com a tradição do estado de São Paulo. O André Siqueira tem um formação interessante em música instrumental e mistura coisas como jazz, já o Paulo Freire trabalha bastante com humor, com mistura de elementos e ritmos, comenta Ramiro.
O momento, de acordo com Ramiro, é bom para os violeiros, especialmente devido à atenção que a viola instrumental ganhou na mídia e no meio artístico nos últimos anos. Hoje um menino toca Jimmy Hendrix com a viola. O músico acadêmico começou a tocar viola. O Almir Sater levou a viola, a música caipira, para um público mais amplo, para o público de jazz.
E a intenção é ganhar ainda mais fãs, mesmo nos grandes centros. Os músicos estão se renovando, são jovens, o adolescente que toca viola hoje já não é visto mais como um jeca tatu, afirma Ramiro.
*O jornalista viajou para a apresentação em São Paulo a convite da organização do circuito.
Calendário de shows
■ 04/06 - Teatro Carlos Gomes, em Vitória (ES): Levi Ramiro, Ivan Vilela e Fabrício Conde
■ 26/06 - Teatro Municipal, em Paulínia (SP): Levi Ramiro, Chico Moreira, Sidnei de Oliveira e Renato Teixeira
■ 15/07 - Teatro Alfa, em São Paulo (SP): Levi Ramiro, Chico Moreira, Sidnei de Oliveira e Renato Teixeira
■ 31/07 - Teatro Municipal Múcio de Castro, em Passo Fundo (RS): Levi Ramiro, Valdir Verona e Sidnei de Oliveira
■ 07/08 - Teatro Rondon Pacheco, em Uberlândia (MG): Levi Ramiro, Fabrício Conde e Zeca Collares
■ 25/08 - Centro Cultural José Octávio Guizzo, em Campo Grande (MS): Levi Ramiro, Júlio Santin e Milton Araújo
■ 03/09 - Teatro Pedro II, em Ribeirão Preto (SP): Levi Ramiro, Ivan Vilela e Duo Catrumano
■ 15/09 - Teatro Municipal Dr. Losso Neto, em Piracicaba (SP): Levi Ramiro, Fernando Caselato e Vinícius Alves
■ 16/10 - Teatro Marista, em Londrina: Levi Ramiro, Paulo Freire e André Siqueira
■ 31/10 - Teatro Municipal, em Toledo: Levi Ramiro, Paulo Freire e André Siqueira


