A culpa de todos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Mea-culpa, como todo mundo sabe, é uma forma de assumir o próprio erro. A partir desse pretexto e com uma preocupação ambiental, Cláudio Kambé resume o nome de sua mostra, justifica seus novos quadros: ''a mensagem pintada de minha reflexão me tornou um maldito pintor solitário''. A exposição, em cartaz no Palacete dos Leões, em Curitiba, conta com fase inédita do artista, ''Triturador de Corações'', até o dia 14 de novembro.
''Esse 'Mea-Culpa' é por não poder fazer nada como ser humano diante de certas coisas. É um trabalho crítico, com uma preocupação estética e um posicionamento político, só que não de 'direita' ou 'esquerda', mas de uma forma universal. É uma crítica à estupidez humana, ao aumento do consumo, do lixo acumulado'', reflete Kambé, conhecido na classe artística por suas reflexões a respeito da condição humana, neste caso, sobre o custo e a inutilidade da tecnologia. Uma provocação, admite o autor. ''É um trabalho exposto para criar repercussão para quem souber ler o trabalho, que é sobre a estupidez.''
Antônio Cláudio Marcelino dos Santos ganhou o sobrenome artístico Kambé quando desembarcou na cidade vizinha de Londrina, Cambé, a primeira localidade paranaense a receber o paulista de Matão. ''Escolhi esse nome em 1975, quando trabalhava como ilustrador em um jornal e precisava de um nome artístico. Ficou graficamente bom com o 'K' no lugar do 'C' e uso desde então'', recorda.
Ágil com o pincel e incisivo com as críticas, Kambé espera despertar um sentimento de inconformidade com questões ambientais mundiais. ''Vejo as novas gerações não se importando se vão sobreviver ou não. E ninguém se movimenta, muitas pessoas até apostam nesse final'', incomoda-se.
SERVIÇO
- Mea-Culpa - de Cláudio Kambé
Quando - Até 14 de novembro, de segunda a sexta, das 12h30 às 18h30
Onde - Espaço Cultural BRDE - Palacete dos Leões (Av. João Gualberto, 530), em Curitiba


