Não se iluda com a sua suposta falta de pretensão, pois uma boa crônica tem muito a dizer. Seja lírica ou bem-humorada, as crônicas - que ganharam visibilidade inicialmente através de publicações em jornais - conquistam cada vez mais espaço como objeto de pesquisa no meio acadêmico. Prova disso é o livro ''Duas ou três páginas despretensiosas: a crônica, Rubem Braga e outros cronistas'' (Eduel), que o professor de literatura Luiz Carlos Simon lança hoje em Londrina. O evento acontece às 19h, no saguão do Cine Com-Tour/UEL.
Resultado de mais de dez anos de pesquisa dedicados ao tema pela Universidade Estadual de Londrina, o livro reúne uma série de artigos publicados em eventos e revistas especializadas, além de textos inéditos. Lecionando há 16 anos nas áreas de teoria da literatura e literatura brasileira, Simon tomou gosto pela crônica quando ainda era adolescente, sendo Rubem Braga um dos seus autores preferidos. Do contato inicial até o aprofundamento teórico sobre o gênero, foram anos de estudos que agora estão sistematizados no livro.
''Os meus textos sempre foram muito solicitados pelos alunos e colegas de trabalho e, de repente, surgiu a ideia do livro, como uma forma de tornar mais acessível esse material, que tem uma linha editorial inédita, já que a maioria das publicações sobre o gênero são sobre os cronistas do século 19 e início do século 20'', comenta o professor.
Focado nos cronistas do século 20 de maior projeção nacional, a publicação destaca a obra de Rubem Braga que, segundo o autor, é o principal responsável em dar à crônica uma ''feição mais moderna''. A obra também traz análises de autores como Machado de Assis, José de Alencar, Clarice Lispector e até autores menos conhecidos como Antônio Maria (1921-1964), que apesar de ter morrido precocemente e ter seus livros editados postumamente, é um dos grandes nomes do gênero, sendo inclusive admirado por Luis Fernando Verissimo.
Voltado ao público em geral apreciador de crônicas, o livro ainda tem um capítulo inteiro dedicado a uma relação detalhada com mais de cem cronistas e seus livros no período de 1936 a 2010. ''Pensei nesse capítulo como um guia prático para o leitor e também informo sobre as obras reeditadas e suas respectivas editoras'', complementa.
Tendo como inspiração fatos do cotidiano e assuntos recentes, as crônicas têm como objetivo conquistar uma forte identificação com o leitor. ''O bom cronista precisa escrever com concisão e ter um senso de atualidade grande; conseguir se identificar com o tempo presente'', avalia Simon.
Como exemplo, ele cita a crônica ''Controle'', de Antonio Prata, que - tendo como mote o hábito de muitas pessoas embrulharem com filme plástico o controle remoto - consegue fazer um texto extremamente interessante abordando o que está por trás desse comportamento e do quanto a ideia da ''assepsia total'' invade a vida das pessoas. ''Isso é típico de um grande cronista: conseguir inspiração a partir de um fato supostamente banal'', afirma.
No livro, o autor também analisa alguns escritores mais recentes que estão conquistando espaço ao divulgarem suas crônicas pela internet, através de blogs, como Marcelino Freire. ''Não acredito que essa mudança de suporte tenha alterado o apreço das pessoas pela crônica. Os leitores continuam exigentes, na expectativa por textos mais elaborados e inteligentes'', ressalta.
Serviço:
- Lançamento do livro ''Duas ou três páginas despretensiosas: a crônica, Rubem Braga e outros cronistas'' (Eduel), de Luiz Carlos Simon
Quando - Hoje, às 19h
Onde - Saguão do Cine Com-Tour/UEL
Quanto - O livro será comercializado a R$ 40,00
Mais informações - Pelo (43) 3371-4673, 3371-4691 ou pelo e-mail [email protected]

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