Para a artista plástica Regina Menezes, que tem ateliê em Londrina, ''o artista propõe enigmas desde sempre''. Pollock foi um exuberante exemplo dessa sensibilidade exacerbada, capaz de transcender a linguagem de sua época e de antecipar descobertas e conhecimento. Quando estava no auge de sua carreira, na década de 40 e início dos anos 50, Pollock vivia a angústia e a dor, conforme conta Regina, de competir num mercado que só dava valor a novidades, triturando e descartando a arte não comercial ou supostamente ''envelhecida''. O pintor, no entanto, ''transformou esse movimento destrutivo em poesia, liberdade e beleza''. Regina lembra-se do impacto que sentiu quando ficou frente a frente, pela primeira vez, com uma tela de Pollock, num museu em Nova Iorque: ''emudeci e era um silêncio repleto de palavras que nunca conseguiria dizer''.
Regina acredita que a criatividade, tão vibrante em Pollock, existe em todos nós, mas ''nem sempre encontramos um território fértil para expressá-la''. Nesse sentido, o artista é privilegiado, mas também sofredor, porque são sempre dolorosos esses processos de ''busca incessante de respostas, de tentar expressar sua visão sobre o mundo, sobre o ser humano, sobre si mesmo''. O artista capta o momento em que vive ''com uma inteireza angustiante'' e sente necessidade ''de alcançar o cósmico, sem se perder do mundano, onde está inserido''. E o momento atual é caótico, de acordo com Regina. Isso porque ''as pessoas estão sempre à procura de algo que vai fazê-las feliz, mas amanhã''. Por isso, ''o hoje fica parecendo tão confuso e incompleto''.
Em sua pintura, ela procura colocar ordem nesse caos, dar direções, captar e expressar movimentos de organização. ''É isso o que está acontecendo'', afirma, otimista, ''nós não estamos indo para o fundo do poço, como muitos temem, apenas ainda não conseguimos visualizar as novas configurações que estão se definindo''. Regina trabalha com fragmentos urbanos - a casa, o alvo, o telhado, o tabuleiro de xadrez... - que sugerem tanto os aspectos positivos, como os negativos da busca do ser humano por uma identificação dentro dos movimentos contínuos da vida. ''Tento dar uma ordenação a esse caos'', explica, ''e convido o observador a sentir o prazer lúdico de interpretá-lo e reordená-lo, interiormente, à sua moda''.(A.S.)

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