A Costa do Sol, coisa de cinema
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terça-feira, 02 de setembro de 2003
Marcos Gomes<br> Especial para a Agência Estado 
Marcos Gomes
Especial para a Agência Estado
Fortaleza - Quem conhece não tem receio de afirmar que o Litoral do Ceará está entre um dos mais bonitos do mundo. São 573 quilômetros de costa no topo do mapa do Brasil, onde o sol brilha 2.800 horas por ano, com temperatura média de 30 graus o ano todo. Isso em mais de 70 exuberantes praias que formam a Costa do Sol cearense.
Não é à toa que lá existem diversos points mundialmente famosos, como Jericoacoara, tida como uma das dez mais belas praias do planeta pelo jornal americano Washington Post. E Canoa Quebrada, que há 20 anos era praia de nudismo para hippies e sem perder o encanto virou um civilizado conjunto de casas luxuosas e pousadas simpáticas, próximo da aldeia de jangadeiros.
Fortaleza, a privilegiada capital do Estado, demarca os destinos de praia: as da costa leste, onde nasce o sol e fica Canoa Quebrada, e as da costa oeste, do sol poente, onde está Jeri. Para os passeios, o turista pode basear-se em Fortaleza, com uma excelente rede hoteleira para todos os bolsos. Se tiver pouco tempo, a dica é fazer tours de
um dia. Aí o ideal é reservar
pelo menos dois dias, um para cada costa.
As excursões geralmente duram de um a seis dias e são oferecidas pelas operadoras contratadas nos próprios hotéis ou nas peruas de agências que
à noite fazem ponto na Praia
do Meireles.
O lado leste da Costa do Sol é percorrido pela Rodovia CE-040. A partir de Fortaleza, além de Porto das Dunas, encontram-se praias inesquecíveis, como a da Caponga (60 km), Águas Belas (66), Beberibe (76), Fortim (125)
e Canoa Quebrada (150).
A mais famosa desse trecho, Canoa Quebrada, é encantadora. A alta demanda turística gerou empregos para a população local, que agora se empenha em protegê-la. Um imperdível passeio de buggy pelas dunas e lagoas de água doce dura de uma hora e meia a duas horas. Também é legal aproveitar para fazer o divertido esqui bunda nas dunas e voar de paraglider.
A noite de Canoa Quebrada é mágica, com as imensas estrelas amplificadas pela posição geográfica e as delícias gastronômicas de que se pode experimentar no mundialmente famoso calçadão da Broadway, por onde se cruzam viajantes
do mundo.
Mas o Litoral do Ceará é tão extenso e abençoado que, mais para leste de Canoa Quebrada, nas Praias de Ponta Grossa (180 km) e Redonda (185), ainda é possível encontrar paisagens paradisíacas e as características aldeias de pescadores. É como fazer uma viagem à Canoa Quebrada de 20 anos atrás. Não é preciso, entretanto, ir muito longe. As atrações ao leste podem ser desfrutadas antes de Canoa Quebrada. A apenas 33 quilômetros de Fortaleza é possível ver da estrada uma interpretação futurista dos moinhos de vento da Holanda: as torres cataventos dos geradores de energia eólia de Aquiraz, que abastecem a cidade com 28 mil habitantes.
Fundada em 1699, ela foi a primeira vila do Ceará e ainda hoje preserva construções do século 18. Lá está sendo desenvolvido um dos maiores projetos turísticos do Estado: o Aquiraz Resort, um investimento de mais de US$ 140 milhões.
Também são paradas obrigatórias no caminho para Canoa Quebrada as falésias da Praia do Morro Branco (87 km, famosa por ter sido cenário da novela Final Feliz, exibida pela Rede Globo na década de 80), que constituem altos labirintos de areia colorida em processo de petrificação. Isso sem falar na Praia das Fontes (96 km), onde fica a Lagoa de Uruaú, maior do Estado e cenário de diversas produções de cinema e tevê.
O litoral oeste do Ceará, a partir de Fortaleza, é um espetáculo à parte. O detalhe de estar voltado para o poente determina incríveis alterações nas cores da paisagem, com o mar passando das fantásticas tonalidades azuis da costa leste para as inumeráveis nuances de verde que caracterizam Jericoacoara (303 km da capital cearense).
Mas antes de chegar a essa praia, pela BR-222, ficam praias imperdíveis como a de Cumbuco (30 km), Paracuru (88), Lagoinha (104), Flexeiras (140), Almofala (231) onde ainda hoje vivem os últimos índios tremembé e de onde uma capela do século 18 e casas ressurgiram intactas depois de ficarem dois séculos cobertas por uma duna gigante e Acaraú (240 km), onde se realiza anualmente a Festa da Lagosta.
O lado oeste é um verdadeiro paraíso para os amantes do esporte pelos ventos constantes e topografia privilegiada. Ideal para regatas, windsurfe, surfe, rali, trekking e outros.
Cada praia tem características próprias que valem pelo menos um dia de visita e em todas jangadeiros desenvolvem pesca artesanal de peixes, camarão e lagosta. Isso sem falar nos manguezais com seus caranguejos e fauna tão exuberante quanto o artesanato das rendeiras.
O passeio de um dia para Lagoinha, por exemplo, inclui travessia de jangada pela imensa Lagoa das Almécegas e volta de trenzinho pelas margens dos manguezais.
Continuando pela costa oeste, depois da mais que louvada Jericoacoara, há praias espetaculares. Como ocorre agora com Tatajuba (330 km), onde as dunas são móveis e se dorme em casa de pescadores; Camocim (360), onde atualmente estão surgindo resorts; e Bitupitá (409), com coqueirais, uma rudimentar e hospitaleira aldeia de pescadores cujo comércio é feito por escambo e o espetacular encontro de cinco rios que faz surgir a Ilha Grande, ideal para pesca e observação de peixes de rio e de mar num mesmo ambiente.


