A Conta Cultura, medida tomada para atenuar o impacto do veto à Lei do Mecenato estadual, praticamente já é uma realidade. A secretária da Cultura do Estado, Mônica Rischbieter, disse à Folha que nesta semana o edital ‘‘estará na rua’’ e o primeiro período de inscrição acontecerá daqui a um mês.
Como o assunto requer urgência, também o governador Jaime Lerner deverá encontrar-se nos próximos dias com cerca de 10 a 15 empresários na tentativa de sensibilizá-los a destinar parte das verbas que aplicariam na Lei Rouanet, para a conta cultura.
Confiante nesse empenho – Lerner deverá marcar um café da manhã ou jantar com os empresários –, Monica Rischbieter espera que os R$ 3,5 milhões já destinados, através dos incentivos das estatais, sejam duplicados, podendo atingir valores ainda maiores. ‘‘Estamos acreditando nesse programa que nasceu para salvar uma emergência. Ele poderá ser uma saída fantástica às artes não só no Paraná como nos demais Estados do Brasil’’.
A secretária da Cultura, apesar do empenho e entusiasmo com o plano, mantém-se em alerta: ‘‘Temos esperanças, mas não sei como as empresas vão reagir. Espero que da melhor forma possível, porque a conta cultura vai trabalhar com projetos de paranaenses’’.
A proposta, enfim, é a de ‘‘cantar nossa aldeia’’. Historicamente existe um peso cinzento na produção cultural paranaense. Correm relatos dos mais diversos sobre aqueles que deixaram o Estado para tentar o sucesso em outras terras. Ou aqueles que acabaram definhando porque não encontraram incentivo, ao contrário do que ocorre na Bahia ou Rio Grande do Sul, onde o bairrismo é marcante. Mônica quer se colocar na contramão desses episódios: ‘‘Queremos deixar as pessoas aqui, temos qualidade em todas as áreas, do teatro ao cinema, música, artes plásticas, literatura. Não tem porquê não priorizarmos a nossa produção’’.

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