São Paulo, 18 (AE) - O pop britânico atual tem sua coroa dividida entre dois postulantes: as bandas Blur e Oasis. Em turnê pelo Brasil no ano passado, o Oasis mostrou que seu combustível é uma boa dose de adrenalina e notáveis digressões de guitarra. O Blur, que chega ao Brasil neste fim de semana e toca no domingo no Credicard Hall, em São Paulo, passou a trilhar outro caminho com seu novo álbum, "13". A nova estrada do Blur passa por uma noção menos espetacular e hooligan do rock. A banda sedimenta o caminho aberto nos anos 80 por outra leva de grupos britânicos, entre eles o New Order, o Bauhaus e os melodiosos Prefab Sprout e Dexys Midnight Runners.
O grupo reconhece o legado do passado imediato e atualiza-o com canções modernas, de espasmos eletrônicos, embebidas de um descarado e desesperançoso senso de romantismo e dor-de-cotovelo. "Está acabado, você não precisa me dizer", canta Damon Albarn na canção que já nasceu clássica no novo álbum, "No Distance Left to Run". "Eu creio que as palavras funcionaram como um pedido de socorro", disse Albarn em entrevista à Agência Estado, há duas semanas. Ele é o letrista e compositor do grupo, que compõe com Graham Cox (guitarra), Alex James (baixo) e Dave Rowntree (bateria). O "socorro" foi o motivo todo de suas composições: acabara de levar um fora da namorada, a cantora do Elastica, Justine.
"Eu acho que a dor motiva, embora não seja parte necessária da criação", considera Albarn. A melancolia realmente perpassa a nova fase do grupo, mas a lírica não é o dado decisivo para se avaliar a sua produção. O Blur, até então uma banda suburbana chegada em confusões e porres de cerveja "Guinness", fez com 13 um retrato perfeito deste fim de século musical. Pós-moderno, parece com tudo que conhecemos, ao mesmo tempo que consegue extrair sua originalidade e identidade desse amálgama de citações. O nome do produtor do disco já surge como uma revelação: trata-se de William Orbit, também produtor de "Ray of Light", o novo retrato em polaroid de Madonna.
Orbit encarregou-se de dar os climas retrô-futuristas ao álbum. Mas é Albarn quem comanda o conceito, ao lado do seu escudeiro Graham Coxon - os dois conheceram-se ainda no ginásio, em Colchester. O Blur surgiu no fim dos anos 80 sob o nome de Seymour. Em 1989, rebatizaram o grupo com o nome de Blur. No mesmo ano, assinaram com o selo Food Records. Seu primeiro single, "Shes so High", saiu em 1990. Não aconteceu. Foi o segundo que os tirou do anonimato, "Theres no Other Way", que dominou as paradas inglesas em 1991. O produtor do single era Stephen Street, o mesmo de feras como The Smiths, Morrissey e The Cranberries.
Então, eles estrearam com um disco, "Leisure", também de 1991. As harmonias e melodias eram uma mistura de Beatles e rock setentista, de Pink Floyd com Led Zeppelin. Era o que os diferenciava do som que vinha da América, mais pesadão àquela altura do campeonato. As guitarras na tradição punk conviviam com um ataque melódico que parecia retornar à era dos Beatles pré-álbum Branco. A seguir, Albarn enfrentou sua renitência em ser compositor e passou a fazer as letras. "Modern Life Is Rubbish", que veio depois, em 1993, já traz a marca dessa modificação. Cordas sutis conviviam com ataques pesados de guitarra.
Foi quando começou a rivalidade com o Oasis (que, na verdade, só existe para a mídia especializada). Com "Parklife"
em 1995, eles atingiam a maioridade. Ganharam quatro Brit Awards, o Grammy inglês, e passaram a ser vistos com respeito também como instrumentistas. Mas ainda pareciam iguais aos outros todos, talvez com um vocalista melhorzinho. O quinto álbum, "Blur", ratificou essa idéia. Ficaram dois anos afastados e voltaram com essa pérola que é "13" (Virgin Records). Serviço - Blur. Domingo, às 20 horas. De R$ 30,00 a R$ 90,00. Credicard Hall. Avenida das Nações Unidas, 17.955, tel. 5643-2500

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