Um filme que se contenta em seguir os moldes tradicionais de 'drama de tribunal', o longa ''A Condenação'' - que estreia hoje na tela do Cine Com-Tour/UEL e nas salas Lumiére do Royal Plaza Shopping - é um projeto pessoal do diretor Tony Goldwyn, que trabalhou em sua produção durante cinco anos. Não é surpresa que o julgamento de Waters tenha saído dos tribunais diretamente para as telas do cinema; o caso, que envolve uma condenação injusta e a redenção através do amor fraternal, é quase um roteiro pronto.
Baseado na emocionante história real de Betty Anne Waters (Hilary Swank), o filme mostra diversas etapas do processo em que, durante 18 anos (1983-2001), fez Betty se dedicar ao estudo da advocacia com o único objetivo de livrar seu irmão mais velho, Kenny Waters (Sam Rockwell) da prisão perpétua. Nos primeiros quinze minutos do longa, o espectador é introduzido lentamente aos fatos do polêmico caso através de uma conversa de Betty com sua colega de classe Abra Rice (Winnie Driver), e isso muda a dinâmica da narrativa para uma sequência de cenas em ''flashback'' não-linear, que abrangem desde o relacionamento dos irmãos na infância até o dia do assassinato que foi responsável pela condenação de Kenny.
Montado de maneira confusa, os momentos mais interessantes da primeira metade do filme estão centrados no caráter forte de Kenny - que Rockwell interpreta de forma magistral, oscilando entre a raiva e a alegria - e o personagem bad boy consegue ganhar imediatamente a simpatia e a torcida do espectador. Na segunda metade, com Kenny encarcerado e quase sem aparecer na tela, o longa se transforma em tedioso e previsível; e é com imensa tristeza que vemos a realidade mutilada por clichês cinematográficos (cabelos ao vento, tristes notas de piano e o relacionamento Betty-filhos-marido retratado de maneira óbvia e superficial).
A direção também peca em 'enfeitar' demais alguns fatores do julgamento de Kenny - deixando o espectador sem entender por que motivo o personagem foi sentenciado a uma pena tão dura sem provas consistentes - mas as piores características do filme estão mesmo no roteiro, que tenta criar uma tensão artificial e deixa incerta a inocência de Kenny, desembocando em um desvio narrativo desnecessário e que compromete a credibilidade e o impacto natural dos fatos.
Em resumo, o problema é que os elementos de ''A Condenação'' não convencem, e o roteiro do filme acaba sendo o principal responsável pelo homicídio culposo de uma maravilhosa história verídica que, se fosse aproveitada em todo seu potencial, certamente mereceria diversas indicações ao Oscar. Uma injustiça cruel.

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