São Paulo, 08 (AE) - Em gravações originais, remasterizadas, o que é bom, mas com discos montados, sistema de compilação, o que quase nunca é bom, a EMI lança a coleção "Raízes do Samba", com 26 CDs dedicados a grandes sambistas e alguns nem tão sambistas assim, mas que fazem ou fizeram samba. Numa história das raízes do samba caberia Gonzaguinha? Fez grandes sambas. Não está na raiz do gênero, longe disso.
Os pecados são numerosos, mas há também acertos (a BMG usou unicamente seu catálogo, o que dá visão parcial da história). Os discos têm 20 faixas, cada um. O volume dedicado a Nélson Cavaquinho tem participações de Beth Carvalho (Folhas Secas), Guilherme de Brito (Quando Eu me Chamar Saudade" e "Pranto do Poeta"), Odete Amaral (Folhas Caídas").
O de Jorge Veiga, rei do samba e do breque, tem "Faustina, Acertei no Milhar, Café Soçaite, Quem Sou Eu? Clementina: Cocoroco (com Roberto Ribeiro), Torresmo à Milanesa" (com Adoniram Barbosa e Carlinhos Vergueiro), Tantas Você Fez" (com Christina Buarque), Embala Eu (com Clara Nunes). São participações dignas, mas deixam a impressão de que a organização pretendeu amenizar o canto bruto da "Mãe Quelé", pondo outros artistas a seu lado. É mais uma observação do que uma crítica. Há pouco, em CD, de Clementina. O que chegar é bem-vindo, digno de aplausos.
A série tem Moreira da Silva, com seus melhores sambas, mas tem também Bebeto, e por que teria Bebeto? É aquele cara que
de certa forma, antecipou os partideiros de hoje, um imitador tolo, diluidor, da música de Jorge Ben. Musiquinho de churrascaria de terceira. Aí, sim, é uma reclamação. Bebeto não apenas não é raiz do samba. Não é samba, ponto.
Mas tem Roberto Silva, sem algumas faixas da fase áurea, outras recentes - um Escurinho", de Geraldo Pereira, gravado ao vivo, com participação de Fernanda Abreu. Mas Fernandinha segura a onda. Para a delícia, Morena Boca de Ouro, Espelho do Destino, Falsa Baiana, Dora, Lágrimas, A Mulher Que Eu Gosto"...
Gonzaguinha, já mencionado, aparece num disco de sambas, mesmo, de "Comportamento Geral" a "O Que É, o Que É. Só os sambas, sem os boleros. Outro volume é dedicado a certo desconhecido e não bom Partido em Cinco, sem que o encarte diga quem são os cinco, se é que são cinco. Elza Soares mereceu um bom volume, com seus clássicos, assim como Clara Nunes - Conto de Areia, Coração Leviano, Ilu Ayê, Menino Deus.
As gravações do volume de Pixinguinha são as do acervo da gravadora e tudo é primoroso. Clementina de Jesus e João da Baiana participam de várias. Leci Brandão aparece com a boa fase
a que vai até o fim dos anos 80, e Carmem Miranda, obra vastíssima, mereceu uma seleção mais ou menos óbvia.
Muito bom o disco de Elisete Cardoso, com Sei Lá, Mangueira, Rosa de Ouro, Tempo Feliz", mas é outra obra vasta e múltipla (e não disponível em CD). Nenhuma antologia lhe fará justiça. O mesmo vale para João Nogueira, Paulinho da Viola, Roberto Ribeiro, Beth Carvalho, Demônios da Garoa, Dona Ivone Lara (quando alguma gravadora vai lançar disco novo de Dona Ivone, que continua na ativa, compondo como nunca?)
Caymmi, Adoniram, Almir Guinéto, Jair Rodrigues, Luiz Ayrão e - por quê? - Benito di Paula completam a série. Não é uma história do samba, mas, separando joio de trigo, pode dar uma idéia da história.

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