Para ser mais preciso e afinado com o que se vê na tela teria sido preferível e mais justo intitular ''Tudo para Ficar com Ele'', em lançamento nacional a partir de hoje, como algo próximo a ''A Coisa Mais Ácida'' (em irônica oposição ao título original) ou ainda ''O Romanticamente Incorreto''. Isto porque estamos diante de um desses filmes especialmente dedicados às ultimas consequências daquilo que se convencionou chamar de ''politicamente incorreto''. ''The Sweetest Thing'' é grosseiro, com base numa espécie de feminismo demasiadamente agressivo. Mas se o espectador menos exigente nas salas, em ruidosa maioria está apenas atrás de uma historinha que somente pretende rir de tudo, então o lugar é aqui mesmo, nesta platéia.
Não que se trate da pior comédia dos últimos tempos, mas o trailer e o marketing em cima de Cameron Diaz andaram vendendo um filme que decididamente não é ao que se assiste. O que não se viu, e que ficou estrategicamente escondido, foi uma série de situações no mínimo questionáveis num todo a rigor muito pobre só não alcança o estado de indigência completa por conta da já citada atitude feminista. Mas de que trata ''Tudo Para Ficar com Ele''?
O argumento narra as peripécias de Christina Walters (Cameron) para ficar com Peter (Thomas Jane), com quem somente teve um encontro certa noite quando estava com as amigas Courtney (Christina Applegate) e Jane (Selma Blair) numa discoteca. Ela faz o gênero divertido e sexy, é explosiva e encantadora, mas do tipo incapaz de um comprometimento mais sério para ela a regra de ouro é desfrutar o momento e jamais sonhar com o homem perfeito. Agora, porém, a garota não consegue mais tirar o rapaz da cabeça, e então decide partir para a captura. Daí seu natural empenho em buscar quem ela acha que pode dar um fim a este estado, digamos, volátil.
''Tudo Para Ficar com Ele'' parte daquela promessa de ser um desses filmes onde a situação pode causar simultaneamente riso e repulsa, vertente escatológica irmãos Farrely (''Quem Vai Ficar com Mary''), onde a diversão parece cair na estupidez inofensiva para em seguida render-se à torpeza e à grosseria. É tudo isso e também não é, e no geral acaba se acomodando no território da mediocridade, aquele lugar onde o anedotário abundante é bastante simples e onde certo tom sexual ofenderá uns e outros, incluindo piadas sobre sexo oral, piercing nas genitálias, etc, etc. Menos sofrível é a relação entre as três amigas, que em certo sentido parece a extensão da farra que deve ter sido atrás das cêmeras. Mas mesmo aí há momento péssimos, como o número musical no restaurante chinês, sem pé nem cabeça.
Quem dirige é Roger Kumble (''Intenções Cruéis''), apoiado em roteiro de Nancy Pimental, autora de textos para a série ''South Park''. Explica mas não justifica: a irreverência do cult televisivo é bem diferente da mixórdia contida nesta comédia aparentemente sem pretensões, mas que nasceu com a inequívoca intenção de dar regras a um gênero emergente: o besteirol escatológico com vocação transgressora para sociologia de bolso de colete. Há consumidores, sem dúvida.

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