A "cidade-mãe" faz 350 anos
Nani Góis/DivulgaçãoRua da Praia vista do marA "cidade-mãe" faz 350 anos
A cidade-mãe dos paranaenses, Paranaguá, completa, no dia 29 de julho, 350 anos de fundação. Para homenageá-la, a Fundação Cultural de Curitiba, através do programa Curitiba abraça o Paraná, inaugura, hoje, às 12 horas, no Memorial de Curitiba, uma exposição comemorativa à cidade mais antiga do Paraná. A mostra reúne peças raras e é uma das mais completas feitas até agora sobre o primeiro núcleo de povoação do Estado.
Nani Góis/DivulgaçãoVista do Porto de Paranaguá
A Exposição Paranaguá 350 anos - Civitas Mater do Paraná destaca momentos decisivos da história de Paranaguá desde a ocupação pelos primeiros donos da terra: os índios Carijó à chegada dos europeus e passagem de expedições, como a de Pero Lopes de Souza, que marcou sua passagem em 1532, colocando um padrão com as armas de Portugal numa das ilhas da Baía, até sua época atual, como cidade portuária de intenso movimento.
Nani Góis/DivulgaçãoCasa Monsenhor CelsoA administração do Brasil em Capitanias torna o território de Paranaguá Terras de SantAna propriedade do donatário Pero Lopes de Souza. Com a sua morte, seus descendentes disputam Paranaguá. Mapas e documentos assinalam este episódio.
A descoberta de ouro em Paranaguá - foi o primeiro lugar onde se descobriu ouro no Brasil - determina a transferência da povoação da Ilha da Cotinga para o continente. Em 1946, Gabriel de Lara eleva a povoação a Vila de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá. Desse episódio descata-se a peça original do Pelourinho de Paranaguá, o único ainda existente no Sul do Brasil.
Nani Góis/DivulgaçãoMercado do Artesanato, com o Largo do Pelourinho sendo construídoA curadoria da exposição coube à professora Cassiana Lacerda, que contou com a colaboração de um grupo de pesquisadores e historiadores além do apoio da professora Cecília Westphalen. Peças originais de valor inestimável estarão expostas, como quatro missais do século XVII, os mais antigos do Paraná. Os livros foram localizados na Igreja São Benedito e nunca haviam sido mostrados ao público.
Um dos espaços mostra Paranaguá como berço da cultura paranaense. Serão expostas 16 obras de Iria Correia, artista nascida em 1844, considerada a primeira pintora do Paraná e do Brasil. Trata-se de um conjunto de naturezas mortas que mostra espécies botânicas do litoral paranaense. As obras pertencem ao acervo particular de Ilka Munhoz e, da mesma forma, nunca haviam sido expostas.
Os desenhos de João Pedro, o Mulato, o primeiro caricaturista paranaense, e de Barros Júnior, estão entre os elementos que retratam os personagens populares e personalidades da sociedade parnanguara do século passado. Júlia da Costa, Brazílio Itiberê e Fernando Amaro também aparecem neste contexto cultural, que se complementa com vistas de Paranaguá feitas por pintores como Debret, Andersen, Michaud e Garfunkel.
ReproduçãoÓleo de Alfredo Andersen (1860 - 1935), de 1896 retratando o Bairro RocioO pioneirismo dos seus habitantes também será lembrado. Foram eles os primeiros a propor a separação do Paraná de São Paulo, deles nasceram idéias libertárias contra a escravidão e, mais tarde, em favor da República. A estrada de ferro e a Estrada da Graciosa aparecem na exposição como marcos da integração do litoral com o planalto.
Cassiana Lacerda diz que a exposição revela a riqueza histórica de Paranaguá e mostra que a cidade vive hoje um período progressista. Segundo a curadora, para enfatizar este aspecto, além de fotos e vídeos, haverá uma ambientação do porto, com os produtos que vêm sendo exportados ao longo do tempo. Um telão mostrará imagens de Paranaguá e filmes sobre temas especiais e ambientação sonora.
A maior parte do material da exposição pertence a museus de Curitiba - Museu Paranaense, Biblioteca Pública do Paraná, Museu David Carneiro, Casa João Turim, Ciclo de Estudos Bandeirante e Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.
Muitas peças foram conseguidas via Internet, como a imagem digitalizada do Tratado de Tordesilhas, de 1494, vinda dos Arquivos de Sevilha (Espanha). Pela Internet também foram feitas consultas aos arquivos do Itamaraty (Brasília) e do Museu Britânico (Inglaterra) e obtidas cópias de documentos e mapas, como os feitos por Hans Staden, autor do primeiro mapa da Baía de Paranaguá.
A presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Margarita Sansone, destaca o aspecto didático da mostra, que contará com monitores. As escolas de Curitiba poderão agendar visitas com os alunos. A exposição permanecerá aberta no Memorial até o dia 2 de agosto, quando será levada para Paranaguá.





