Se São Luís ficou conhecida entre os franceses na primeira metade do século 19 como ''a cidade dos pequenos palácios de porcelana'', isso se deve em grande parte ao conjunto arquitetônico reunido em seu centro histórico.
Em 1987, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) fez o que era mais que merecido a São Luís do Maranhão declarou a região central Patrimônio Mundial da Humanidade. Segundo divulgou a entidade, ''um momento significativo da história do País está nela representado''. De acordo com carta da Unesco, trata-se de ''exemplo excepcional de cidade colonial portuguesa''. Argumentos para visitá-la, enfim, não faltam.
O acesso a tamanha riqueza histórica e cultural provavelmente se dará pela Rua Portugal. De cara, seus sobradões revestidos de azulejos portugueses, um ao lado do outro, causam admiração. Muitos viraram repartições públicas, alguns são hoje lojas de artesanato, e nestas últimas é fácil ser seduzido pelas peculiaridades maranhenses. Respire fundo, deixe o consumismo de lado por um momento e siga adiante no percurso.
Vá para outra rua que merece atenção pela arquitetura, a Rua do Giz. Nela, cabe alertar, no entanto, que vários prédios estão em processo de degradação; alguns chegaram a cair. Diversas construções não foram restauradas. E outras, mesmo com o trabalho de preservação, não podem sofrer intervenção pois são propriedade privada. Assim, muito do que se vê está em ruínas. Uma pena.
Mas voltemos em direção à beira-mar. Aquele grande casarão branco em frente ao Cais da Praia Grande é a Casa do Maranhão. Entre e não se arrependerá, pois lá está o Museu do Boi. Que você já ouviu falar do bumba-meu-boi é certo, mas poucos têm a chance de conhecer a fundo tudo o que sua festa (que ocorre nos meses de maio e junho no Estado) envolve.
Desde o ensaio até sua morte, tudo é contado aos visitantes neste espaço cultural. Podem ser vistas, ainda, as fantasias superelaboradas de diferentes tipos de sotaque, como são chamados os grupos de boi, de acordo com os ritmos e roupas usados na festa.
No térreo do edifício, telas de tevê com fones de ouvido e textos em português e inglês, no melhor estilo multimídia, mostram aos turistas as principais maravilhas maranhenses, dos Lençóis à Floresta dos Guarás. Há também uma loja com souvenirs típicos e livros sobre o Maranhão.
O Palácio dos Leões, sede governamental, é outra preciosidade. Você passará por ele diversas vezes, e a vontade de olhá-lo mais de perto será grande. Erguido pelos franceses em 1612 e nomeado de São Luís em homenagem ao rei da França, a construção esbanja estilo neoclássico. Com a expulsão dos franceses em 1615, porém, recebeu o nome de São Felipe para homenagear, então, o rei da Espanha. Gravuras e obras de arte integram seu acervo.
Há mais para ver. O Teatro Arthur Azevedo de 1817, segundo mais antigo do Brasil e o Convento das Mercês, na Rua da Palma. Foi o padre Antônio Vieira, maior orador sacro da língua portuguesa, que o fundou em 1654. Atualmente, funciona ali a Fundação da Memória Republicana.
E já que os azulejos são a atração do centro, passe pelo imponente prédio da Caixa Econômica Federal. Dizem ser a maior fachada azulejada da América Latina. De qualquer modo, confira com os próprios olhos. Tudo o que puder. (A.E.)

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