fotos: Consulado do MéxicoVista de Guanajuato: no centro da cidade, o casario colonial se desdobra em subidas e descidas guardando uma parte significativa da história da independência mexicana.Guanajuato é capital do estado do mesmo nome. A entrada da cidade é a primeira parada. Aqui está La Valenciana, a maior mina do período colonial, que continua em plena atividade, está aberta à visitação e colabora para assegurar ao México o primeiro lugar na produção mundial de prata.
A capela com o Cristo dos Mineiros e sua expressão de dor dá a medida do que devem ter sido as condições de trabalho por aqui. Cercada de muros pontiagudos a sugerir o formato da Coroa espanhola, a mina tem 525 metros de profundidade, com vestiários encimados de caveiras e o sempre presente altar para Nossa Senhora de Guadalupe.
Na região amontoam-se tiendas onde se podem comprar artigos de prata a excelentes preços. Mais ou menos um quilômetro fora de La Valenciana, a Igreja de Guadalupe, com altar do mais puro ouro 24 quilates e uma fachada barroquíssima.
Mais adiante, o centro da cidade, onde o casario colonial se desdobra em subidas e descidas guardando mais uma parte significativa da história da independência mexicana. Foi na Alhondiga de Granaditas (armazém de grãos) que estava a tropa mexicana quando chegaram os insurgentes. Um deles, José Barajas, conhecido como Pípila, incendiou a porta do lugar, o que possibilitou a invasão.
Detalhe da Igreja de Guadalupe: fachada barroquíssima
Também foi aqui que ficaram expostas, em gaiolas, as cabeças dos líderes do levante, depois do fuzilamento. Não se deve deixar de visitar o Teatro Juarez, uma confusão de estilos arquitetônicos de resultado impressionante. Tão impressionante quanto os estreitíssimos túneis onde os ônibus passam tirando faísca das pedras.
MúmiasEstá em Guanajuato o fantástico Museo de las Momias. Devido à composição do solo da cidade, mais ou menos dois por cento dos corpos enterrados ali, em vez de entrarem em decomposição, mineralizam-se. O processo não precisa mais de seis anos para se completar, e as famílias que não têm dinheiro para pagar o jazigo perpétuo vêem seus parentes desenterrados e expostos em urnas de vidro.
Funcionários do Museo contam uma a uma a história das mortes: a da senhora Ignácia, que foi enterrada viva; a do soldado zapatista, enterrado com uniforme, ou mesmo a da menor múmia do mundo, a de uma criança morta ao nascer e exposta ao lado de sua mãe, falecida na mesma ocasião.
A junção da narrativa do guia e da visão aparentemente chocante dos corpos petrificados revela muito do espírito mexicano e da sua maneira de se relacionar com a finitude. Esse povo acostumado à violência parece rir da morte.
Aliás, convém não esquecer que a Festa dos Mortos, que coincide com o nosso Finados, é um grande carnaval no México. E a morte, representada pela caveira, uma personagem nacional.
Quem se interessa pelo assunto não deve deixar de visitar a Igreja Nossa Senhora de Guanajuato e dar uma olhada no estado do Cristo que se encontra ali: com o corpo todo queimado e profundos cortes no abdome e rosto, rivaliza com as múmias.
Diego RiveraMas nem tudo é morte... Foi em Guanajuato que nasceu Diego Rivera, um dos mais famosos muralistas mexicanos ao lado de Orozco e Siqueiros. Sua casa, um agradável sobrado de três andares, foi transformada em museu e contém obras representativas de todas as fases do pintor. Ali estão expostos seus estudos acadêmicos, obras da fase cubista, do período em que morou na Europa até reencontrar sua terra e forjar o traço que o tornou conhecido.
O evento mais importante de Guanajuato acontece em outubro. Trata-se do Festival Cervantino Internacional, que tem a presença de grupos de música folclórica, clássica e pop, fazendo a ponte entre o velho e o novo.

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