A celebração musical de Leila
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de maio de 2002
Antônio Mariano Júnior<br>Reportagem Local 
Autonomia não se pede, conquista-se. E desde que surgiu aos olhos e ouvidos do grande público, em 85, Leila Pinheiro foi tratando de avisar que não cederia a modismos ou cruéis imposições das gravadoras. E hoje, aos 21 anos de carreira, a cantora paraense ocupa um lugar entre os artistas brasileiros rigorosamente comprometidos com a qualidade musical. Coerência! Quando não for mais dessa maneira vou fazer outra coisa, afirmou a cantora em entrevista, por telefone, à Folha2.
Coerentemente, Leila Pinheiro assina embaixo o show Mais Coisas do Brasilá nome do disco homônimo, o primeiro gravado ao vivo, lançado em agosto do ano passado. O espetáculo acontece a partir das 20h30, no Recinto José Garcia Molina (Sociedade Rural), dentro do Royal Golf In Concert, projeto firmemente encampado pela Teixeira & Holzzman Empreendimentos Imobiliários. O show é direcionado apenas a convidados especiais. Convites disputadíssimos.
A cantora vem acompanhada do quarteto formado por Sérgio Galvão (sopros), Adriano Souza (teclados), Pedro Moraes (baixo) e Erivelton Silva (bateria). Ah, sim, Leila vai dedilhar os teclados. O repertório tem como base músicas do mais recente álbum, entre elas Serra do Luar (Walter Franco), Um Dia, Um Adeus (Guilherme Arantes), Catavento e Girassol (Guinga- Aldir Blanc), Feliz (Gonzanguinha) e Todo Azul do Mar (Flavio Venturini- Ronaldo Bastos).
Novidades: uma versão diferenciada de Pecado Capital (Paulinho da Viola), releituras de canções consagradas como Reza (Edu Lobo - Ruy Guerra) e a citação de um trecho do livro Solte os Cachorros, da poeta mineira Adélia Prado. É um show conceitual, de pura emoção. Quando termina saio do palco exaurida, mas satisfeita, confessa a cantora. O show tem direção geral de Inácio Coqueiro.
Ganhar as estradas é o grande barato de Leila Pinheiro. Como explica, é através de shows que alavanca ainda mais a venda de seus discos e, de quebra, revê e amplia admiradores nos quatro pontos cardeais. A princípio diz não se preocupar muito se um disco seu está indo de vento em popa, afinal ela é uma artista e não uma funcionária do departamento de divulgação da gravadora as vendagens de Leila sempre são satisfatórias do ponto de vista comercial. Um fato interessante: Já chegou a acontecer de, após um show, vender de 100 a 150 discos, conta.
Em outras palavras, o verdadeiro compromisso de Leila é burilar cada vez sua arte. E é ao piano onde tudo principia e termina. Ou seja, é no instrumento que ela desenha seus trabalhos, imprime sentido particular a canções, configura-se enfim. Cantar para mim sempre foi muito fácil, desde moleca é assim. Agora interpretar é personificar alguma coisa e por isso me considero uma intérprete, inclusive porque também sou instrumentista, analisa. As referências, claro, existem. As principais: Elis Regina, Maria Bethânia, Nana Caymmi (que sempre a elogia), Dalva de Oliveira e Elizeth Cardoso.
A discografia da cantora é composta por 11 títulos. Apesar da diversidade de compositores e estilos, o nome de Leila até hoje é associado à Bossa Nova graças ao paparicados Benção Bossa Nova (89) e Isso é Bossa Nova (94). Um fator positivo: Leila soube sempre alternar discos elaborados (Catavento e Girassol, de 96, até então continua sendo o melhor de todos) com outros que trazem um certo frescor popular (como Coisas do Brasil, de 93).
O novo CD, Mais Coisas do Brasil, tende a ser um trabalho convencional, feito para agradar gregos e baianos. No entanto, é bom frisar: Leila Pinheiro nunca abriu brechas para discos comercialescos, popularescos, oportunistas. Mais coisas... é, digamos assim, agradável, prático, cotidiano e útil. Quis com esse disco fazer uma celebração aos 21 anos de carreira e também marcar meu retorno à Universal, explica a cantora.
Com a gravadora, ex-Polygram ,firmou contrato para cinco discos. Um dos motivos de empolgação da cantora está na gravação do DVD simultaneamente lançado com o disco. Não sou uma cantora de clipes. Se é que tenho um lado atriz ele se revela mesmo é no palco, argumenta. Em duas décadas e pouco, o balanço que Leila faz é positivo. Tem sido dificílimo, mas extremamente prazeroso. Era para eu ser médica e nunca duvidei de que dei o passo certo ao optar pela música. Sou e sempre fui feliz com a minha escolha, orgulha-se. É isso aí!
Serviço
Mais Coisas do Brasil, show com a cantora Leila Pinheiro. Hoje, a partir das 20h30,no Recinto José Garcia Molina, no Parque de Exposição Ney Braga, em Londrina. Somente para convidados especiais. O espetáculo faz parte do projeto Royal Golf in Concert promovido pela Teixeira & Holzzman Empreendimentos Imobiliários.


