Autonomia não se pede, conquista-se. E desde que surgiu aos olhos e ouvidos do grande público, em 85, Leila Pinheiro foi tratando de avisar que não cederia a modismos ou cruéis imposições das gravadoras. E hoje, aos 21 anos de carreira, a cantora paraense ocupa um lugar entre os artistas brasileiros rigorosamente comprometidos com a qualidade musical. Coerência! ‘‘Quando não for mais dessa maneira vou fazer outra coisa’’, afirmou a cantora em entrevista, por telefone, à Folha2.
Coerentemente, Leila Pinheiro assina embaixo o show ‘‘Mais Coisas do Brasil’’á – nome do disco homônimo, o primeiro gravado ao vivo, lançado em agosto do ano passado. O espetáculo acontece a partir das 20h30, no Recinto José Garcia Molina (Sociedade Rural), dentro do ‘‘Royal Golf In Concert’’, projeto firmemente encampado pela Teixeira & Holzzman Empreendimentos Imobiliários. O show é direcionado apenas a convidados especiais. Convites disputadíssimos.
A cantora vem acompanhada do quarteto formado por Sérgio Galvão (sopros), Adriano Souza (teclados), Pedro Moraes (baixo) e Erivelton Silva (bateria). Ah, sim, Leila vai dedilhar os teclados. O repertório tem como base músicas do mais recente álbum, entre elas ‘‘Serra do Luar’’ (Walter Franco), ‘‘Um Dia, Um Adeus’’ (Guilherme Arantes), ‘‘Catavento e Girassol’’ (Guinga- Aldir Blanc), ‘‘Feliz’’ (Gonzanguinha) e ‘‘Todo Azul do Mar’’ (Flavio Venturini- Ronaldo Bastos).
Novidades: uma versão diferenciada de ‘‘Pecado Capital’’ (Paulinho da Viola), releituras de canções consagradas como ‘‘Reza’’ (Edu Lobo - Ruy Guerra) e a citação de um trecho do livro ‘‘Solte os Cachorros’’, da poeta mineira Adélia Prado. ‘‘É um show conceitual, de pura emoção. Quando termina saio do palco exaurida, mas satisfeita’’, confessa a cantora. O show tem direção geral de Inácio Coqueiro.
Ganhar as estradas é o grande barato de Leila Pinheiro. Como explica, é através de shows que alavanca ainda mais a venda de seus discos e, de quebra, revê e amplia admiradores nos quatro pontos cardeais. A princípio diz não se preocupar muito se um disco seu está indo de vento em popa, afinal ela é uma artista e não uma funcionária do departamento de divulgação da gravadora – as vendagens de Leila sempre são satisfatórias do ponto de vista comercial. Um fato interessante: ‘‘Já chegou a acontecer de, após um show, vender de 100 a 150 discos’’, conta.
Em outras palavras, o verdadeiro compromisso de Leila é burilar cada vez sua arte. E é ao piano onde tudo principia e termina. Ou seja, é no instrumento que ela desenha seus trabalhos, imprime sentido particular a canções, configura-se enfim. ‘‘Cantar para mim sempre foi muito fácil, desde moleca é assim. Agora interpretar é personificar alguma coisa e por isso me considero uma intérprete, inclusive porque também sou instrumentista’’, analisa. As referências, claro, existem. As principais: Elis Regina, Maria Bethânia, Nana Caymmi (que sempre a elogia), Dalva de Oliveira e Elizeth Cardoso.
A discografia da cantora é composta por 11 títulos. Apesar da diversidade de compositores e estilos, o nome de Leila até hoje é associado à Bossa Nova graças ao paparicados ‘‘Benção Bossa Nova’’ (89) e ‘‘Isso é Bossa Nova’’ (94). Um fator positivo: Leila soube sempre alternar discos elaborados (‘‘Catavento e Girassol’’, de 96, até então continua sendo o melhor de todos) com outros que trazem um certo frescor popular (como ‘‘Coisas do Brasil’’, de 93).
O novo CD, ‘‘Mais Coisas do Brasil’’, tende a ser um trabalho convencional, feito para agradar gregos e baianos. No entanto, é bom frisar: Leila Pinheiro nunca abriu brechas para discos comercialescos, popularescos, oportunistas. ‘‘Mais coisas...’’ é, digamos assim, agradável, prático, cotidiano e útil. ‘‘Quis com esse disco fazer uma celebração aos 21 anos de carreira e também marcar meu retorno à Universal’’, explica a cantora.
Com a gravadora, ex-Polygram ,firmou contrato para cinco discos. Um dos motivos de empolgação da cantora está na gravação do DVD simultaneamente lançado com o disco. ‘‘Não sou uma cantora de clipes. Se é que tenho um lado atriz ele se revela mesmo é no palco’’, argumenta. Em duas décadas e pouco, o balanço que Leila faz é positivo. ‘‘Tem sido dificílimo, mas extremamente prazeroso. Era para eu ser médica e nunca duvidei de que dei o passo certo ao optar pela música. Sou e sempre fui feliz com a minha escolha’’, orgulha-se. É isso aí!
Serviço
‘‘Mais Coisas do Brasil’’, show com a cantora Leila Pinheiro. Hoje, a partir das 20h30,no Recinto José Garcia Molina, no Parque de Exposição Ney Braga, em Londrina. Somente para convidados especiais. O espetáculo faz parte do projeto ‘‘Royal Golf in Concert’’ promovido pela Teixeira & Holzzman Empreendimentos Imobiliários.

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