A casa que mantém viva a imagem de Elvis Presley
Em agosto de 1993 eu e uma amiga decidimos ''pegar a estrada'' com direção aos Estados Unidos pela primeira vez. Era um grande sonho que estava sendo realizado depois de meses de economias. A única coisa certa era o destino inicial, New York, onde ficaríamos por algumas semanas. Havíamos comprado um passe de trem Amtrak que nos dava o direito de percorrer uma determinada região dos Estados Unidos em 15 dias. Pegamos um mapa e traçamos o roteiro prévio. Escolhemos seis cidades do leste do país: Philadelphia, Baltimore, Washington, New Orleans, Memphis, Chicago e Boston.
À princípio, Memphis foi escolhida como parada necessária pois, de outra maneira, a viagem de New Orleans a Chicago seria muito longa e cansativa. No entanto, a parada nesta cidade ficou marcada. Além de ter sido palco do assassinato de Martin Luther King Jr., Memphis é uma das cidades mais visitadas nos Estados Unidos todos os anos. O mais importante ponto turístico é Graceland, a casa do mais famoso rei do rock de todos os tempos: Elvis Presley.
Começamos a viagem em setembro, início do outono, e o clima estava agradável. Chegamos à noite e, como deve ser comum à maioria dos marinheiros de primeira viagem, entramos em pânico ao descobrir que não haviam táxis esperando na estação. Ficamos surpresas, pois achamos que encontraríamos multidões de fãs e turistas. Na verdade, eles já tinham passado por lá no mês anterior, na comemoração do aniversário de morte do ídolo (dia 6).
O passeio por Graceland foi emocionante. Demos asas à imaginação ao andar pelos cômodos da casa e caminhar por seus jardins. Uma trilha sonora com os mais famosos hits do cantor acompanha todo o passeio. Os guias, muito bem treinados, contam toda a trajetória do rei. Do outro lado da rua, um museu guarda os automóveis de Elvis.
Quando Elvis comprou Graceland, aos 21 anos, ele não imaginava o legado que iria deixar para fãs do mundo todo. Todos os anos, no aniversário de sua morte, milhares de pessoas fazem uma verdadeira peregrinação até a casa para fazer suas homenagens ao ídolo. Isso rende muitos dólares para sua única herdeira, Lisa Marie Presley.
Iniciando o passeio, o guia nos conta que o muro ao redor da propriedade é conhecido como ''muro do grafite'' porque é onde os visitantes escrevem suas mensagens para Elvis. O muro é limpo regularmente com um sistema de água por pressão para dar espaço a novas mensagens. Os portões de metal são famosos. Ali Elvis se encontrava com os fãs para conversar, dar autógrafos e posar para fotos.
Ao entrar pela porta da frente tivemos a sensação de que estávamos visitando a casa de um amigo. O primeiro cômodo é a sala de estar decorada com móveis brancos e uma bela mesa de centro. A mesma sala serviu de cenário para o funeral de Elvis. Em seguida, entramos na sala de música, onde ele divertia os amigos e familiares tocando piano e violão.
Havia 16 televisores em Graceland. Na sala de TV, estão três que Elvis gostava de assistir ao mesmo tempo. Nesta sala também fica o sistema de som, ligado aos autofalantes espalhados por toda a propriedade.
O escritório possui móveis característicos da década de 50 e era onde o pai de Elvis, Vernon Presley comandava o império. Na sala de sinuca, o que chama mais atenção são as paredes recobertas com tecido bem colorido. Conta-se que Elvis era um ótimo jogador.
A sala da floresta foi especialmente decorada por Elvis. Tudo foi escolhido para lembrá-lo do Hawai. Existe até uma pequena queda d'água atrás da poltrona de couro onde o rei relaxava. A sala possui ótima acústica e, por isso, Elvis a usava como estúdio.
A sala de troféus é fabulosa! Ali os discos de ouro do rei estão em exibição. Numa parede, uma ''linha do tempo'' com fotos e documentos mostra a trajetória de Elvis desde o início de sua carreira. Lá estão também algumas de suas roupas, violões, cartas e armas.
O andar superior da casa, onde estão os quartos e banheiros da família, não pode ser visitado por turistas por duas razões. Quando Elvis era vivo, ele não levava visitas ao andar superior pois aquela era área particular da família. Quando Lisa Marie e Priscila, sua mãe, decidiram abrir Garceland para o público, queriam que aquela parte da casa continuasse sendo preservada.
A outra razão é logística. Como o volume de visitantes é muito grande, seria necessário colocar uma escada extra para saída, o que resultaria em reformas. Ao lado da casa existe um campo e um celeiro onde Elvis mantinha os cavalos que criava. A paisagem é linda!
Por fim, os visitantes são deixados à vontade no Jardim da Meditação, nos fundos da propriedade, onde estão os túmulos de Elvis, de seus pais, irmão e avó. É impossível não se emocionar com as demonstrações de pesar dos fãs. As músicas que marcaram gerações enchem os corações de saudades.
(O texto foi enviado pela professora Margareth Debertolis, de Londrina)





