"A Casa Amaldiçoada" está mais para comédia do que para terror
São Paulo, 23 (AE) - Ainda que o título, a história e o cenário sinalizem um filme de terror, "A Casa Amaldiçoada" está mais para comédia. O diretor Jan De Bont bebeu em fonte assustadora, buscando inspiração em clássico romance do gênero, mas as tentativas malsucedidas de dar sustos no espectador acabam fazendo do filme uma piada. Só a careta do boneco Chucky dá mais medo.
A produção, a partir desta sexta-feira nos cinemas brasileiros, não consegue sustentar na tela a atmosfera arrepiante do livro "The Haunting of Hill House", escrito por Shirley Jackson. "Desafio do Além" (1963), a primeira adaptação da obra para o cinema, com direção de Robert Wise, é muito superior na medida em que consegue não só estabelecer como elevar gradativamente o suspense no decorrer da trama.
Como o título original não podia se apoiar em recursos tecnológicos, os fantasmas da casa passavam a maior parte do tempo escondidos - fazendo com a platéia os imaginasse muito mais assustadores do que eles eram na verdade. Já Jan de Bont (de Twister e a série Velocidade Máxima), acostumado aos efeitos especiais, confiou demais nas assombrações e alucinações geradas por computador. Sem desenvolver uma atmosfera verdadeiramente propensa ao terror, a extravagância visual não funciona. Tudo soa falso.
A ausência de tensão, falha imperdoável em um filme que almeja dar calafrios no público, é gerada no roteiro insosso. O pontapé inicial na trama é a chegada de três pessoas que sofrem de insônia à Casa Hill, uma mansão há muitos anos desabitada - desde a morte do barão Hugh Crain que construiu o palácio para a mulher e os filhos que o casal planejou, mas nunca teve.
Nell (Lili Taylor), Theo (Catherine Zeta-Jones) e Luke (Owen Wilson) são levados à casa pelo dr. David Marrow, vivido por Liam Neeson - que depois desse fiasco deveria despedir o agente. Com a desculpa de curar os pacientes de seus distúrbios do sono, o médico os atrai à mansão mal-assombrada para usá-los como cobaia em um estudo sobre o medo.
E as aparições vêm interromper o sono logo na primeira noite, incomodando Nell, a mais suscetível dos três candidatos. A jovem passou os últimos 11 anos cuidando da mãe doente e agora
com a sua morte, ela tem dificuldade para encontrar o seu lugar no mundo. E o mais estranho é que, apesar do medo inicial, Nell misteriosamente começa a se sentir em casa.
Se o roteiro é ruim, os diálogos são ainda piores. Nem a mansão, de estilo indefinido entre o gótico e o barroco, ou os efeitos especiais valem o ingresso. Até porque não há nada de excepcional. Entre portas que abrem sozinhas, estátuas que ganham vida e vultos atrás da cortina, a melhor sequência se dá quando o espírito do proprietário começa a oprimir o quarto de Nell. Do lado de fora, ele ataca o aposento como se fosse um furacão. Jan De Bont, aliás, deveria voltar a apostar nas catástrofes naturais. Um "Twister 2" teria caído melhor em seu currículo.





