A caravana de Céu pede passagem
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Pedro Antunes <br> Agência Estado 
São Paulo - Depois de ver o mundo, voltar é estranho. O bichinho da estrada picou Céu e, agora, não existe mais volta. Mudou, amadureceu, melhorou. Viveu em movimento, num cotidiano constantemente itinerante, experimentando emoções contraditórias. Horários confusos, pessoas novas, saudade, solidão - mesmo entre muitos. A Céu de hoje lembra pouco, ou quase nada, a Maria do Céu Poças que despontou em 2005, com seu primeiro disco, ''Céu''. Aos 31 anos, ela tem uma filha com o músico e produtor Gui Amabis, a Rosa, de 3. A vida mudou. Novos discos e parcerias vieram.
Céu chega ao ''Caravana Sereia Bloom'', terceiro álbum, lançado pela Urban Jungle e Universal Music, acompanhada por um ''dream team'' da efervescente cena paulistana. É a sua caravana, a sua banda, o seu bonde. Com eles, viajou o mundo nesses últimos seis anos.
A cozinha, no disco, é a mesma: Bruno (bateria), Marcos Lucas Martins (baixo) e Dustan Gallas (guitarra). Mas cresceu com a adição de Gui Amabis, que produziu com a cantora, além de ser uma espécie (boa) de faz-tudo, tocando vibrafone, teclados, programadores, guitarra, baixo. Pupillo, baterista da Nação Zumbi, toca bateria em cinco faixas. Curimin assume as baquetas uma vez. Isso além de Dengue, baixista também da Nação, e do saxofonista Thiago França (de Marginals, Metá Metá e atualmente tocando com Criolo). ''Incluo todo mundo na minha caravana'', diz ela, com voz doce, de menina. ''É um disco que fala da estrada, de encontros, desencontros, os causos, circos.''
A princípio, o trabalho se chamaria ''Estudos da Estrada'', nome de uma pasta no computador de Céu em que ela guardava os rascunhos do sucessor de ''Vagarosa'', álbum elogiado de 2008. Mas o tom burocrático não combinava com o trabalho que traz toda a euforia e melancolia de cair na estrada. As músicas ''Sereia'' e ''Street Bloom'' ajudaram a compor o nome do disco. Pronto, estava batizado: ''Caravana Sereia Bloom''.
A representação imagética do disco veio antes do seu lançamento, dia 2 de fevereiro, com o clipe da psicodélica ''Retrovisor'', gravado nos arredores de Vila Velha, na ilha de Itamaracá (Pernambuco), com a direção de Renan Costa Lima e Ivo Lopes Araújo. Tudo tem um tom cinematográfico, desértico, contornado por brilhantes solos de Gallas. ''Falei para o Ivo (Lopes Araújo) que estava com a estrada na cabeça, e ele disse saber exatamente o que eu queria.''
A segurança de gravar um disco veio sem que Céu percebesse. Enquanto ela, grávida, levou um ano e meio para gravar ''Vagarosa'', o ''Caravana'' foi levado em um mês. ''Três semanas para gravar os instrumento e uma para a voz'', diz. ''Não tinha tempo para ficar amando e ouvindo cada gravação. Era rápido.''
Após os shows de lançamento no Sesc Vila Mariana, nos dias 10 e 11 de março, a cantora parte para uma turnê internacional: França, Alemanha, Suíça, República Tcheca e Inglaterra, Estados Unidos e Canadá. A filha Rosa acompanha quando dá. É para ela a canção ''Sereia''. ''Brinco com ela, quando dou banho e ela até canta.'' A Céu de hoje é várias em uma: cantora, compositora, musicista e mãe. A estrada lhe chama, sem dó, mas sempre há motivo para voltar.


