Foi só na sétima música que o CD ''Cara'', de Claudio Lins, me pegou de jeito. Os primeiros acordes de ''DDD'' chamaram minha atenção: parei tudo que estava fazendo e ouvi a música duas, três vezes. Foi ali que eu soube que teria que ouvir o disco de novo, desde o início.
É curioso que o disco parece mesmo vir num crescendo. A música de abertura, ''Cair e chegar'', não dá a menor pista do que vem adiante.
Este segundo trabalho do compositor, filho de uma dupla famosa (Ivan e Lucinha Lins), tem arranjos bem feitos mas principalmente letras instigantes, questionadoras, contundentes. E é completamente autoral.
Claudio talvez seja mais conhecido como ator, por isso, ''Cara'' é uma boa surpresa, principalmente para quem não conhece seu trabalho anterior, ''Um'', lançado em 1999.
Nos últimos seis anos, o lado musical de Claudio apareceu em vozes alheias. Em 2003 Maria Rita gravou ''Cupido'' no seu primeiro CD. Depois, Luciana Mello e Pedro Mariano cantaram ''Impaciência'' e ''Camicaze''. O próprio compositor mostra, nesse trabalho, sua visão para essas três músicas. E além de cantar, assina os pianos e teclados.
O disco tem convidados de peso como o baterista Kiko Freitas e o baixista Zeca Assumpção, que dispensam apresentações. Pedro Mariano aparece para um dueto em ''Teatrinho'' e Luciana Mello em ''Dois Voando''. Com a mãe, Lucinha, ele divide ''Impaciência''.
O disco ainda tem ''Bala meia-volta'', uma crítica bela e original à violência do cotidiano; tem ''Cegueira'', que Claudio fez inspirado no livro de Saramago e uma faixa extra, ''Por toda vida'', tema da novela ''Ciranda de Pedra'', da Globo, que merece ser ouvida sem a novela. A música é uma parceria com o pai, Ivan, e Ronaldo Monteiro de Souza (um dos parceiros mais constantes de Ivan Lins).
O disco tem substância, como uma boa comida. Tem tempero, variedade - romance, suíngue, jazz, samba. Quer saber? Se esta é a Cara de Claudio Lins, não resisto ao talento do moço, nem ao trocadilho: fui com a Cara dele!

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