A cara da comédia paranaense
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de janeiro de 2009
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Sabe o cara inquieto, que no colégio não para de criar apelidos para os outros e tirar sarro das frases de duplo sentido? Aquele que, por mais sacana que seja, acaba virando a alegria da turma? Pois é, Diogo Portugal é assim, com a diferença que esse ímpeto humorístico transformou o administrador de empresas em um artista em ascensão. O comediante curitibano, aos 39 anos, comemora a boa fase com quadros na tevê, shows fixos na capital paranaense, no Rio e em São Paulo; e um ano de coluna em revista dirigida ao público masculino.
''Tinha uma veia humorística desde os tempos do colégio, costumava aproveitar a deixa dos colegas para fazer piadinha e o pessoal ria. Não era bagunceiro mas por causa disso me dava mal, a direção chamava meus pais'', lembra Diogo. ''Até hoje tenho um pouco disso; às vezes em um papo sério ou reunião importante eu acabo falando umas coisas que algumas pessoas não gostam. Nunca aconteceu um problema grande, mas acabo fazendo, meio que perco o amigo mas não perco a piada.''
Formado em administração de empresas, Diogo atuou por um bom tempo na área, foi criador de jingles publicitários e ainda trabalhou como guia de férias para a Disney antes de assumir de vez que havia se tornado comediante, há aproximadamente seis anos.
''Você decidir assumir 'vou ser palhaço' para fazer os outros rirem é difícil, um pouco complicado. Apesar de mexer com o humor, isso te traz uma cobrança social e uma postura séria na profissão'', conta. ''Não é uma profissão que as pessoas costumam respeitar. Quando comecei, muita gente, até algumas pessoas que eu conhecia, me olhavam com um ar do tipo 'olha a que esse cara está se sujeitando...'.''
Diogo já havia dado os primeiros passos como comediante em 1997, durante festival de humor. ''A primeira tacada humorística de verdade foi quando teve um festival de humor do (canal pago) Multishow. Fiz um vídeo caseiro e fui classificado. Depois teve uma semifinal em Ribeirão Preto (SP) e fui para a final, em São Paulo (capital), com a Cláudia Rodrigues, humorista veterana. No júri estavam o (publicitário) Washington Olivetto, o pessoal do Casseta & Planeta, foi bem legal'', lembra.
Depois disso, Diogo decidiu fazer o que poucos faziam (e ainda fazem por aqui), como imitar figurões da política paranaense, a exemplo de Jaime Lerner, Rafael Greca, entre outros. ''Existia e ainda existe uma lacuna a ser preenchida no humor em uma cidade fria como Curitiba, e não só por aqui, acho que no Paraná inteiro'', diz.
Com o relativo sucesso, Diogo inaugurou uma noite de comédia no formato stand-up, a chamada ''comédia de cara limpa'', baseada no improviso do humorista em frente à platéia. A ideia deu certo e inspirou grandes nomes do humor nacional, como Bruno Mazzeo (do ''Cilada'', exibido no Multishow) e a dupla Danilo Gentili e Rafinha Bastos (ambos no programa ''Custe o Que Custar - CQC'', da Band).
''Comecei a conhecer muita gente no 'Clube da Comédia Stand-Up', em São Paulo, e, depois de uma entrevista que dei no Jô Soares meus vídeos no YouTube começaram a 'bombar'. Tivemos que abrir sessões extras dos espetáculos'', recorda Diogo. Hoje, os vídeos com trechos de shows de Diogo no YouTube chegam aos 45 mil acessos, em menos de três dias depois de postados.
O Risorama, parte da programação do Festival de Curitiba direcionado à comédia, nasceu justamente dos shows de Diogo e hoje tem todas as apresentações lotadas. Com quatro noites fixas de espetáculos em Curitiba, São Paulo e Rio, o paranaense explica a razão desse sucesso.
''Para ser um bom humorista você precisa se aprimorar o tempo todo. Meus primeiros shows foram um fracasso. É só com a prática que você fica bom. Você precisa ficar se reinventando, a piada de hoje não funciona amanhã. É por isso que o humorista também têm que estar bem informado para fazer uma piada sobre o que está acontecendo.''


