A canção não está perdida
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sábado, 20 de agosto de 2011
Rafael Ceribelli <br> Reportagem Local 
Hoje não é feriado, mas é Dia da Saudade; data em que os 'raulseixistas' de todo País se reúnem para homenagear a vida do músico Raul Seixas - apelidado de ''Pai do Rock Brasileiro'' - e relembram as belas composições deixadas pelo músico, que morreu no fatídico 21 de agosto de 1989, há exatos 22 anos.
Com a espada e a guitarra na mão, o polêmico Raulzito sobrevive como um dos ícones do rock mais cultuados do País, e seus trabalhos ainda chamam a atenção de novos fãs. ''Eu gosto de Raul desde pequeno, e comecei por causa do meu pai'', declara o estudante Otávio Bonesi, presidente do fã-clube ''Raul Londrina Rock Seixas'', fundado em 2009 e dedicado ao compositor. ''Eu também aprendi a gostar de Raul com meu pai, ouvindo Carimbador Maluco, que eu adorava. Eu subia na cadeirinha para mexer no aparelho e colocar os discos'', relembra Banny Longhini, vice-presidente do fã-clube.
Não é por acaso que a música de Raul atravessa gerações; como um excepcional letrista, suas composições são repletas de temáticas políticas, místicas e filosóficas, que sempre carregam referências sonoras da música dos Beatles, Pink Floyd, Little Richards e Elvis Presley. ''Quando eu comecei a ouvir, tinha muita curiosidade pelas letras poéticas. Não tem como descobrir o que elas significam ouvindo apenas uma vez. Raul fala muito sobre a vida, a lucidez, a loucura e o amor'', explica Bonesi, chamando a atenção para a profundidade lírica do cantor. ''O rock dele é diferente. Ele foi o primeiro músico a misturar rock com baião, com música nordestina e com uma variedade de ritmos. Ele mesmo dizia ''Eu não faço rock, faço raulseixismo.'' Por isso que nós, fãs, somos raulseixistas'', completa Banny.
A surpreendente versatilidade musical de Raul é um dos motivos pelo qual suas canções, depois de 22 anos, ainda ecoam críticas e sentimentos atuais. ''Muitas músicas dele foram feitas no contexto da ditadura, mas a abrangência delas é muito maior. Existem faixas para dias depressivos e também para os dias alegres, e cada vez que eu ouço seus discos, eles significam algo especial para mim'', declara Banny, apontando que a comunidade virtual do fã-clube, criada na rede social Orkut, proporciona ricas discussões sobre o conteúdo da obra do artista. ''Hoje, no cenário principal, não existe mais músico como Raul. As bandas atuais têm pouco para dizer e só pensam no lado comercial de suas músicas. Você só encontra um bom rock and roll brasileiro pesquisando no submundo da internet'', aponta Bonesi, criticando o cenário musical contemporâneo. ''A música ruim de hoje é reflexo da falta de atitude de toda uma geração. Talvez, no futuro, meu filho chegue pra mim falando: ''nossa, Restart é tão legal'', e ache Raul Seixas um esquisito. Se ele pensar isso, com certeza vai levar um tapa na orelha'', completa, rindo.


