A caminho do Oscar
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de janeiro de 1998
Ricardo Bairos Planet Pop/AE 
ReproduçãoEm Melhor Impossível, Jack Nicholson aparece em um de seus melhores papéisAmistad, Titanic, Good Will Hunting e O Homem que Fazia Chover. Todos esses filmes que têm boas chances de ganhar alguns Oscars em março revelaram novos talentos e estão dando o que falar nos Estados Unidos. Mas é Melhor É Impossível que está correndo por fora como grande favorito: além de trazer Jack Nicholson em um dos melhores papéis dos últimos tempos e Helen Hunt (do seriado Mad About You e do filme Twister), a produção está revelando o talento de Greg Kinnear. Fazendo o papel do vizinho gay odiado pelo personagem de Nicholson, o ex-apresentador de TV vem chamando atenção junto à crítica e ao público norte-americano.
Para quem até há pouco tempo estava no programa Talk Soup, do canal E! Entertainment, que tem baixa audiência na TV a cabo norte-americana, sua atuação impressiona. Kinnear, que não é homossexual, faz o papel do jovem artista que sofre uma agressão de um grupo de assaltantes e é obrigado a retomar sua vida depois de ficar sem dinheiro para pagar a conta do hospital. Mesmo em um papel pesado, o ator se destaca com uma atuação precisa e que não deixa nada a dever às de Nicholson e Hunt. Tanto é que ele já está indicado para o Globo de Ouro, já ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante do conselho de críticos de cinema dos Estados Unidos e é favorito para o Oscar.
Antes de Melhor É Impossível, Kinnear apareceu ao lado de Harrison Ford em Sabrina (sua estréia na tela grande), além de Dear God e A Smile Like Yours. Achei que entrar para o jornalismo televisivo era uma porta para virar ator, nunca achei que havia uma distância tão grande entre as duas atividades, diz ele. Filho de pai diplomata, Kinnear cresceu entre Logansport, Washington, D.C., Beirute e Atenas, o que ele diz ser a chave para seu talento como ator. Fiquei acostumado com a sensação de desorientação, o que me ajudou muito a trabalhar em filmes.
Ele conta que no set comandado pelo diretor James L. Brooks (de Nos Bastidores da Notícia e Laços de Ternura) o maior ego era o da cadela Verdell, que é quem acaba aproximando os dois vizinhos inimigos. Ela sugava o oxigênio quando entrava no estúdio, diz. Quando eu tentava fazer uma brincadeira com ela logo depois de uma cena, ela evitava, como se estivesse dizendo que aquela não era uma hora apropriada.
Sem defeitosKinnear conta também que o fato de ele não ser gay não atrapalhou na construção do personagem. Na verdade, o mais difícil foi fazer o papel de alguém que quase não tem defeitos e que age como uma pessoa boa o tempo todo, diz. Não tenho muita experiência com isso também... Louro e de olhos azuis, com pouco mais de 30 anos, Kinnear deve se tornar o próximo galã alternativo de Hollywood.


