A caminho do fumegante vulcão Pacaya
San Vicente Pacaya - As pernas já cambaleantes finalmente ultrapassam os 2.000 metros de altitude. Apesar do cansaço, quem chegou até ali só tem um último esforço: levantar os olhos. Lá está o fumegante vulcão Pacaya, expelindo seu forte cheiro de enxofre, ininterruptamente. Impossível não se deslumbrar com o leito de lava seca e negra, de pedras roliças, que desce de suas encostas até os vilarejos locais. O vento frio assobia e, sozinho, compõe a paisagem.
Agora falta um trecho pequeno, mas absolutamente íngreme, para atingir a cratera, a 2.552 metros. Lá do alto, asseguram, dá para ver a lava o troféu dos aventureiros. Ela escorreu do Pacaya, pela última vez, há dois anos.
O guia Vinício PeÀa Castellanos, ex-combatente das forças especiais da Guatemala, conhece cada trilha. Atento, ele olha para a névoa que volta a cobrir o cume da montanha viva e dá seu parecer final: ''Hoje ninguém sobe.'' E completa: ''Aqui é preciso respeitar a natureza. Não é lugar de brincadeira.''
Dessa vez, Vinício é obrigado a frustrar o plano de ver a tal lava, fumegante e vermelha, mas ensina uma importante lição. Na Guatemala, não se brinca com a natureza e todos aprendem, desde cedo, a respeitar seus sinais. O guia sabe o que diz: com a neblina e as pedras vulcânicas leves e escorregadias, mas extremamente cortantes, é fácil a diversão terminar em tragédia. ''Para chegar lá no alto, você sobe três passos e volta cinco. Do jeito que está, não subo de jeito nenhum.''
O Pacaya é um dos vulcões mais exuberantes pode ser visto da janela dos hotéis, na capital. Fica no Parque Nacional Volcan de Pacaya y Laguna Calderas, a meia hora de carro da Cidade da Guatemala (47,5 quilômetros). O ingresso custa 25 quetzales (US$ 3,3). Entrou em atividade em 1961 e seus arredores viraram parque nacional em julho de 1963.
A vista, lá de cima, é realmente imperdível, mas não titubeie quando, ao pé da montanha, sugerirem o aluguel de um cavalo para subir a trilha principal. São 50 quetzales (US$ 6,6) para carregá-lo morro acima e 60 quetzales (US$ 8) para subir e descer.
Vale cada centavo. A subida é dura, especialmente para quem, empolgado, já escalou pirâmides nos dias anteriores, bateu perna pelo país, caiu nas baladas e misturou ovos, abacate e pasta de feijão no café da manhã. É bom levar uma garrafa de água e algum alimento leve para a trilha. A região é bonita e rica: tem 28 espécies de mamíferos, 101 de aves e 75 famílias de flores. Um espetáculo para os sentidos.





