A caminho do Disco de Ouro
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quinta-feira, 01 de maio de 1997
Adriana Ferreira Agência Estado 
ReproduçãoPaulinho da Viola: Fiquei esses anos sem gravar porque outras coisas aconteciam na minha vidaPaulinho da Viola já pode comemorar: ele está prestes a ganhar o disco de ouro, depois de atingir uma vendagem de mais de 100 mil cópias com Bebadosamba, trabalho lançado em outubro do ano passado e que está sendo mostrado em shows pelo País. A idéia de Paulinho para o show é a mesma que impulsionou a criação e concepção do disco: reverenciar o samba. É memória e emoção - define. Algo com sentido claro de comemoração. Não existe um tom de saudosismo que, para mim, é uma doença - pensa. Afinal, a vida caminha para a frente.
Aos 54 anos, ele está em turnê nacional de Bebadosamba, onde mescla sucessos recentes com canções antigas. O tímido Paulinho não está preocupado com o número de espectadores que enfrenta nesta turnê, mas sim com a qualidade do que vai mostrar. Entrar no palco não é um problema para mim, a minha maior preocupação é que tudo esteja correto - afirma.
Das 14 músicas do disco, apenas dez estão no repertório do show. Responsável pelo roteiro do espetáculo, que tem direção do amigo Elifas Andreato, Paulinho confessa que fazer a seleção das músicas não foi uma tarefa tão fácil. Afinal, ele não queria uma apresentação longa e cansativa, e também desejava dar espaço para canções de outros compositores como Wilson Batista, Cartola, Nelson Cavaquinho e Candeia. Eu canto mais músicas de outros do que da minha autoria - exagera.
Durante o show, Paulinho homenageia Pixinguinha, em seu centenário de nascimento. Revelar para as gerações mais novas a obra de um compositor que considero do porte de Duke Ellington ou Louis Armstrong, é mostrar que temos uma história, que é muito bonita - diz. Para mim, Pixinguinha é o maior músico que o Brasil teve.
Bebadosamba tem ainda outras preciosidades que acabaram ficando esquecidas com o passar dos anos, e que Paulinho resolveu tirar do fundo de seu baú. Como Coração Vulgar, e outra da mesma época, Momento de Fraqueza, gravada em meados da década de 60 em um compacto simples (Um samba/sem querer cantei errado/não era amor sem fim/mas sim amor já terminado/ e nele/cometi maus um pecado/quando, na realidade/esqueci de ter te amado...) . Ao mesmo tempo, Paulinho recorda com o público canções famosas, entre elas, Dança da Solidão, Argumento e Foi um Rio Que Passou na Minha Vida.
Carpintaria A música não é a única coisa que toma o tempo do artista. Paulinho até confessa que é capaz de ficar um ou dois meses sem compor e mesmo sem tocar o seu cavaquinho. Embora continuasse compondo, ele diz que era uma questão de ritmo e de momento. Fiquei esses anos sem gravar porque outras coisas aconteciam na minha vida - justifica.
Caseiro, o compositor gosta de curtir outras atividades. Mas há uma arte, em especial, que merece a dedicação de Paulinho: a carpintaria. Não ando sem minhas ferramentas e me dá aflição ficar muito tempo sem mexer com as minhas mãos - jura. O ofício de trabalhar a madeira é algo que Paulinho começou na infância, por sua vontade e gosto. Acho que era um dom. Desde então, vem exercitando mais essa vocação. Em determinados momentos, o sambista acaba deixando o lugar vago para o carpinteiro. Prefiro consertar móveis a ir à praia ou a um bar. Ironia da vida, um homem que gosta de ficar bêbado com o samba não se mostra muito entusiasmado com a boemia das noites cariocas. Gosto até de sair para jantar, mas nas últimas vezes em que fui a um bar tinha muito tumulto - confessa.
Em seus shows, Paulinho da Viola é acompanhado pelo pai e violonista, César Farias, Helvius Vilela, no piano, Mário Séve, do conjunto Nó em Pingo dÁgua, no sax e na flauta, Dininho no baixo, Hércules na bateria e Celsinho Silva e Cabelinho na percussão.


