DivulgaçãoKarnak: banda inclui uma dançarina do ventre e um cachorrinhoTer prestígio é uma coisa, ter sucesso é outra. O compositor paulista André Abujamra vive ao extremo essa diferença como um exemplo cabal de como conquistar a unanimidade da crítica e ao mesmo tempo manter-se ignorado pelo grande público.
Se fosse um estreante, dava-se um desconto. Mas Abujamra vem há dez anos colecionando elogios e abocanhando prêmios, desde a época em que fazia dupla com Maurício Pereira no grupo Os Mulheres Negras. A continuar assim, logo vão conferir-lhe o rótulo de ‘‘maldito’’ e colocá-lo em companhia de Jards Macalé, Itamar Assumpção e Luiz Melodia.
Abujamra está lançando o segundo álbum com sua banda Karnak, desta vez pelo selo Velas. Intitulado Universo Umbigo, o disco reitera a colagem esquisita apresentada no primeiro trabalho incluindo ritmos regionais, sonoridades exóticas, línguas inventadas e versos como ‘‘Rapaz, cê olha pra mim / Cê num dá nada por mim, né?’’.
É um mosaico musical desconcertante. Além da banda - 11 integrantes ao todo, incluindo uma dançarina do ventre e um cachorrinho -, a gravação do álbum contou com vários músicos colaboradores e participações especiais como Pato Fu, Mestre Ambrósio, João Gordo e Paulinho Moska.
Karnak, o nome da banda, foi pilhado do maior templo do Egito. Mais do que um detalhe, o fato mostra a obsessão do mentor do grupo por elementos - musicais ou não - de países distantes, o que já lhe garantiu a pecha (que ele rejeita) de seguidor da world music .
Ao acolher migalhas de músicas russas, egípcias e árabes, o trabalho soa revelador apontando para as semelhanças entre alguns ritmos regionais brasileiros e a música folclórica européia. Entretanto, além de oferecer associações musicais para deleite de estudiosos, a banda abraça o pop em incursões pelo rap, ska e trip hop.
É na batida lenta desse último gênero, aliás, que desponta ‘‘O Nome das Coisas’’ - a melhor faixa do disco cuja letra reproduz uma lista com 90 nomes de coisas tais como cadarço, paçoca e bolinha de sabão. Abujamra não bate bem dos pinos.

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