De algum modo ainda inexplicável, a eminente chegada de cometas acelera o desespero de pessoas infelizes e as leva a desatinos, os mais variados, na tentativa de encontrar a felicidade. Mesmo preparando-se para morrer, para deixar este planeta cheio de belezas e experiências interessantes, os suicidas da Heaven’s Gate se diziam muito felizes. Não havia nada mais para eles aqui, além da esperança que viajou pelo Cosmo num rabo de cometa.
Talvez a única vez na História em que um cometa mostrou algum rumo mais amoroso e feliz foi quando apontou para a manjedoura onde, segundo os relatos bíblicos, nasceu o menino Jesus. Em alguns desses casos não ocorre um fenômeno totalmente aleatório, ou conduzido apenas pela figura de um líder isolado, como Moore ou Jim Jones. Existem exemplos em que a manipulação de mitos religiosos foi empregada com propósitos específicos, como na 1ª Guerra Mundial, quando os alemães projetavam imagens de Nossa Senhora na neblina dos campos de batalha para tentar fazer os franceses rezar em vez de lutar.
Conceitos Na área da ufologia - talvez a mais poderosa e perigosa coletânea de mitos deste final de século - a natureza do problema é a mesma. O fenômeno ovni existe, é inegável, e vem sendo estudado com seriedade, pois não se conhece a sua natureza. A interpretação mais comum - de que se trata de naves tripuladas por extraterrestres - é a mais simples mas, nem por isso, a mais interessante. Cientistas de renome, entre eles físicos muito capacitados, preferem associar esses fenômenos a novíssimos conceitos científicos, como o de universos paralelos, multidimensões e, mesmo, viagens no tempo.
É uma área, porém, onde as pessoas precisam ser muito vigilantes: além de ser um campo que converge rapidamente para conceitos muitos estranhos e ‘‘desconfortáveis’’ da Relatividade e da Física Quântica, muito do seu conteúdo foi injetado de fora por grupos e seitas. São apenas fantasias desses grupos sobre fim dos tempos, do milênio, coisas assim.
Além disso, muitos dos avistamentos recentes podem ser produtos de nossa própria tecnologia (estou dizendo que podem ser, não que sejam). Qualquer pessoa atualizada com nosso estágio tecnológico sabe que existem naves desenvolvidas aqui mesmo na Terra e que estão em fase experimental. Nos Estados Unidos e na Europa estão sendo desenvolvidas aeronaves que voam em altíssimas velocidades, algumas delas em forma de discos (discos voadores). São chamadas, em inglês, de RPV’s (Remotely Piloted Vehicles). Não têm pilotos, são dirigidas por controle remoto. E precisam ser testadas em algum lugar. É possível imaginar que muitas delas estejam sendo testadas em segredo e tenham sido confundidas com ovnis. O que, sem dúvida, não exclui o fenômeno ovni propriamente dito, estudado e comprovado em muitos casos com o máximo rigor da nossa ciência, mas que não engloba todos os avistamentos possíveis.
Bem a propósito, na segunda semana de março, a revista ‘‘Jane’s Defence Weekly’’ (a mais conhecida e conceituada revista sobre veículos militares de todo o mundo) publicou uma pequena nota onde informa que os Estados Unidos deverão anunciar em breve ‘‘uma verdadeira revolução’’ na concepção de veículos militares espaciais pilotados por controle remoto. Entre eles, segundo a revista, inclui-se um ‘‘disco voador’’ (expressão literal da revista).
Naves espaciais As informações serão divulgadas pelo Escritório de Reconhecimento Aéreo do Departamento da Defesa norte-americano. Especulações sobre isso já falam que esse ‘‘disco voador’’ teria um motor baseado no princípio Biefield-Brown. Apresentado à comunidade científica mundial na década de 50 pelos físicos norte-americanos T. Towsend Brown e P. A. Biefield, o princípio mostra que capacitadores altamente carregados, e em formato de discos, podem ser impulsionados por força antigravitacional.
Em outras palavras, o princípio Biefield-Brown pode ter sido empregado para desenvolver naves discóides com sistemas propulsores baseados em forças antigravitacionais. Isso permitiria velocidades fantásticas, manobras praticamente impossíveis para as naves tradicionais e viagens a distâncias até hoje inimagináveis.
Com elas, talvez em pouco tempo, seja possível viajar a outros mundos sem ter de acabar com a própria vida, nem ter de embarcar num rabo de foguete, isto é, de cometa.

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