O que o violonista Yamandu Costa, a cantora pop Paula Fernandes, a dupla sertaneja César Menotti & Fabiano, o gaitista galego Carlos NuÀez e o cantor de música caipira Cláudio Lacerda têm em comum? Todos eles lançaram neste ano trabalhos que contaram com a participação de Dominguinhos, 69 anos.
''Ele sempre foi um grande mestre, e a nossa geração tem se dado conta da grandiosidade da obra dele'', atesta Yamandu Costa, 30 anos. ''O mais impressionante é essa disposição dele, esse comportamento humano de trabalhar com artistas mais novos de igual para igual.''
Além de disposição, tantos projetos requerem muita versatilidade por parte do veterano. ''Venho de uma época de muita informação. A gente tocava nos bailes e isso faz com que você se ajeite em qualquer situação'', diz Dominguinhos.
Depois de ''Yamandu + Dominguinhos'', de 2007, a dupla está lançando ''Lado B'', disco instrumental que reúne antigas composições do pernambucano, além de temas brasileiros tradicionais.
''O disco surgiu da vontade de estender esse repertório à música regional'', reconhece o gaúcho. ''Ficou com um clima de sertão nordestino, pois tem mais a mão do Dominguinhos'', pondera Yamandu, já acostumado a tocar acompanhado de ''gaiteiros'', como são chamados os acordeonistas no Rio Grande do Sul.
Uma característica do disco, que chama atenção de imediato, é a forma contida com que o sempre acelerado Yamandu dedilha as cordas do seu violão. ''Ele diz que aprendeu muito comigo nesse sentido'', orgulha-se Dominguinhos. ''É uma honra tocar com o Dominguinhos'', declara Yamandu. ''Ele me ensinou a ter essa delicadeza ao trabalhar com um parceiro. A juventude tem essa característica do exagero, e, agora que estou mais velho, sinto essa calmaria. É o tipo de sabedoria que só o tempo trás.''

mockup