A cada ano, menos tainhas para pescar
Há registros de lances fabulosos, como o de 200 mil tainhas em 1923, na Barra da Lagoa. A maioria ficou apodrecendo na praia. Não havia mercado para tanto peixe. Este ano, com a demora do frio, até meados de junho só haviam pescado 40 toneladas na ilha de Santa Catarina, o centro da pesca de arrasto no Estado.
Ivo da Silva, presidente da Federação dos Pescadores de Santa Catarina, explica que a pesca da tainha faz parte da cultura nativa e acredita que não irá acabar. ''A pesca na praia dura só 75 dias, assim ninguém vive só disso. Alguns até tiram férias de seus empregos nesta época para participar''.
Fernando Marcondes de Mattos, presidente do resort Costão do Santinho, diz que a quantidade de tainhas vem diminuindo a cada ano. ''É uma pena'', diz o empresário, observando que a grande maioria de pescadores idosos aponta para a falta de interesse dos jovens. De tradicional família da ilha, ele afirma que a tainha fresca ''é o melhor peixe do mundo''. Pessoalmente, gosta em postas, com pirão branco e gotas de tabasco. Tudo regado a um bom vinho Chablis seco.
A culinária local é rica em frutos do mar e peixes. No caso da tainha, há várias especialidades, que podem ser provadas em qualquer restaurante do litoral. O peixe cortado em postas é simplesmente frito em óleo quente. Neste caso, há quem prefira a tainha-facão, que tem menos gordura. Um clássico é a tainha escalada, que é aberta, salgada e posta para secar ao sol ou vento durante um dia e depois assada na brasa. Para ocasiões mais especiais, a tainha pode ser recheada com uma farofa da própria ova e assada no forno. Também usam recheio de camarão, mas para alguns isso oculta o sabor do peixe. Em qualquer caso, o acompanhamento tradicional é o pirão, feito de farinha de mandioca bem fina e caldo temperado.





