A bossa que pôs o Brasil no mapa
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quinta-feira, 03 de maio de 2018
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 

No final da década de 1950, jovens cariocas se encontravam para fazer música e criar algo diferente do que estava sendo tocado: um pouco de samba com toque de jazz, melodias e letras mais elaboradas e, principalmente, harmonias e arranjos mais sofisticados, dariam origem à Bossa Nova. Poucos anos depois, o resultado disso viria a ser considerado um dos gêneros brasileiros mais respeitados em todo mundo, sobretudo pela inovação musical que carregava. Em comemoração às seis décadas de existência, compositores e intérpretes reúnem-se para a realização do projeto "60 anos de Bossa Nova", que será apresentado em Londrina nesta sexta-feira (4), às 21h, no Espaço Villa Planalto. O evento promete relembrar alguns dos maiores clássicos deste movimento musical.
Para a grande celebração, sobe ao palco um time de peso formado por nomes como Carlos Lyra, Roberto Menescal e Marcos Valle, além de Paula e Jaques Morelenbaum, acompanhados da banda composta por Adriano Souza (piano), Guto Wirtti (baixo), Marcelo Costa (bateria) e Diogo Gomes (trompete). Carlos Lyra e Roberto Menescal são considerados um dos precursores do gênero; Marcos Valle é um dos principais compositores da segunda geração da Bossa Nova, parceiro de grandes nomes como Edu Lobo e Dorival Caymmi; Jaques Morelenbaum é arranjador, produtor musical e violoncelista que acompanhou Tom Jobim por 10 anos na "Nova Banda"; e Paula Morelenbaum é cantora que trabalhou com Tom Jobim durante 10 anos, gravando três discos com ele.

HISTÓRIA - Aos 78 anos, Carlos Lyra recorda que este movimento buscava algo que falasse de suas identidades e, com isso, foram sofisticando o samba com harmonias do jazz e elaborando melodias como as que ouviam das músicas estrangeiras. Em entrevista à Folha 2 ele explicou:"Éramos rapazes que, como todos de classe média na época, tínhamos uma boa educação e cultura. Ouvíamos música erudita, jazz, canções francesas, standards americanos, boleros mexicanos, e isso foi nos dando um gosto musical apurado que fazia com que não nos identificássemos com o tipo de música brasileira da época, mais focada no gosto popular." Com isso, foram misturando todas as influências com letras coloquiais. "Começamos com o samba-canção e, depois, com a síntese que João Gilberto conseguiu dar à maneira de tocarmos o samba, acabou nascendo o samba Bossa Nova, reunindo todas essas qualidades", recorda.
Como queriam romper e inovar o que estava sendo feito, Roberto Menescal também lembra do aspecto esperançoso que esses jovens, incluindo ele próprio, buscavam nas letras: "Acreditávamos que estava na hora de criarmos uma música moderna que ocupasse um pouco o lugar do samba-canção. Hoje, a Bossa Nova é considerada um patrimônio cultural brasileiro, foi o primeiro movimento musical que saiu do Brasil para o mundo. Ficamos orgulhosos ao ver que, 60 anos depois, ainda estamos vivendo dessa nossa música que nasceu com a juventude do final dos anos 50." Aqueles que aguardam ouvir sucessos emblemáticos como "Garota de Ipanema", ele adianta que estas fazem parte do repertório, bem como composições novas, feitas há pouco tempo.

GERAÇÃO POSTERIOR - Pertencentes a uma geração posterior que nasceu ouvindo Bossa Nova, Jaques Morelenbaum diz que, felizmente, outros jovens seguiram embalados pelo gênero, que ele considera um clássico dentro da música popular. "Apesar da força da máquina comercial, que teima em impulsionar gêneros menos nobres, tenho visto gente de idade ainda tenra compondo e curtindo novas Bossas Novas, confirmando, assim, as virtudes dessa maravilhosa facção de nossa MPB." Em parceria com Paula Morelenbaum, recentemente, gravou um CD ao vivo na Itália, em homenagem a Tom Jobim, chamado "Live in Italia". "Fizemos esse show a pedido de um Festival de muito prestígio, o Padova Jazz. Acredito que haja clima para formar novos públicos para a Bossa Nova, mas é preciso que ela entre no páreo com as mesmas condições que os outros gêneros, participando dos meios midiáticos que hoje exercem uma enorme influência nas vidas das pessoas", completa ela.
Serviço:
60 anos de Bossa Nova
Quando: Sexta-feira (4), às 21h
Onde: Espaço Villa Planalto (av. Tiradentes, 6429)
Quanto: a partir de R$ 99 (Ingressos à venda do site www.minhaentrada.com.br e nas lojas Vila Romana e Off Outlet Fitness, no shopping Aurora)


