A bola que se apaixonou pelo goleiro
Uma bola recebeu o nome de Fura-Redes, quando ela estava no jogo, o placar era generoso
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terça-feira, 30 de junho de 2026
Uma bola recebeu o nome de Fura-Redes, quando ela estava no jogo, o placar era generoso
Marcos Losnak/ Especial para a Folha 

Tem bola que bate na trave. Tem bola que cai nas mãos do goleiro. Tem bola espalmada. Algumas saem para fora, outras para escanteio.
Também tem a bola que sempre entra no gol. São raras, mas existem. Muito tempo atrás existiu uma bola desse tipo. Independente do time, independente do jogador, sempre balançava a rede. Bastava chutar e era gol. A bola gostava da rede.
Essa bola recebeu o nome de Fura-Redes. A bola que todo jogador queria chutar. Quando ela estava no jogo, o placar era generoso: 8x7, 11x9, 17x15. Os torcedores vibravam.
A Fura-Redes foi criada por Jorge Amado, em 1984, no livro infantojuvenil “A Bola e o Goleiro”. A obra ganhou várias edições, a mais recente saiu pela editora Companhia das Letrinhas com ilustrações de Kiko Farkas.
Ao lado da bola Fura-Redes, escritor baiano também criou o goleiro Bilô-Bolô, o maior frangueiro dos frangueiros. Um mão-furada, não pegava nada. Era o goleiro mais vazado do campeonato. Uma verdadeira peneira.
Como coisas improváveis acontecem, em um jogo do campeonato, Fura-Redes se apaixonou por Bilô-Bolô. Foi amor à primeira vista. A bola passou a cair nos brações do goleiro com afinco. Não interessava o tipo de chute, a bola dava um jeito de ser agarrada pelo goleiro.
De goleiro mais vazado do campeonato, Bilô-Bolô se tornou o goleiro implacável. Pegava tudo. Até pênalti. Fura-Redes, independente do jogador e do chute, sempre acabava nos braços do amado.
Então outra coisa improvável aconteceu. No jogo em que Pelé iria fazer seu milésimo gol, Bilô-Bolô estava no time adversário e Fura-Redes era a bola em campo.
Quando o juiz apitou pênalti contra o time de Bilô-Bolô, a arquibancada estremeceu: o Rei do Futebol correu para bater o pênalti.
O goleiro ficou constrangido, não queria atrapalhar o milésimo gol de Pelé. Mas sabia que a bola não pensava assim, ela fatalmente cairia em suas mãos. Bilô-Bolô teve uma ideia: sair correndo quando o craque cobrasse o pênalti.
Segundo Jorge Amado, até hoje os torcedores se lembram do jogo em que a bola correu atrás do goleiro.

SERVIÇO:
“A Bola e o Goleiro”
Autor – Jorge Amado
Ilustrações – Kiko Farkas
Editora – Companhia das Letras
Páginas – 32
Quanto – R$ 79,90


