A Bofetada, Acordes Celestinos e A Filosofia na Alcova voltam aos palcos
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quarta-feira, 28 de julho de 1999
Por Beth Néspoli 
São Paulo, 29 (AE) - Os amigos recomendam, planeja-se para o próximo fim de semana, um incidente qualquer impede. A montagem sai de temporada e pronto: perde-se um espetáculo teatral que se desejava ter visto. E peça teatral não dá para pegar depois na locadora de vídeo. Neste fim de semana, três peças voltam ao palco oferecendo uma nova chance para quem ainda não viu, mas ficou curioso: a comédia "A Bofetada", com a Cia. Baiana de Patifaria, o musical "Acordes Celestinos" e a ousada adaptação de "A Filosofia na Alcova", do Marquês de Sade.
O sucesso de público acompanha a Cia. Baiana há 12 anos, desde sua fundação. "A Bofetada" completa dez anos de estrada, um espetáculo que conta com a interação da platéia e pode ser enquadrado no gênero besteirol. A peça reúne esquetes retirados do texto "Quem Tem Medo de Itália Fausta?", de Ricardo de Almeida e Miguel Magno, e "Pedra, a Tragédia", de Mauro Rasi.
Dirigidos por Fernando Guerreiro, os quatro atores do elenco - Frank Menezes, Diogo Lopes Filho, Wilson Santos e Lelo Filho - tiram proveito não só de seu domínio do tempo da comédia
talento essencial para quem se propõe a interagir com o público
mas de sua capacidade de improvisar. Atualizando sempre as referências a pessoas, locais e acontecimentos do dia-a-dia, eles garantem a atualidade da comédia.
Também na chave da comédia, desta vez musical, "Acordes Celestinos" traça um panorama da época de ouro do rádio brasileiro, nas décadas de 40 e 50. Com texto de José Rubens Chachá, que divide a direção do espetáculo com Ary França, figurinos caprichados e um bom elenco, a peça é uma ótima opção de programa para públicos de todas as idades.
Em cena, uma trupe circense traz de volta, como personagens vivendo no céu, os ídolos Vicente Celestino (Gerson de Abreu), Carmen Miranda (¶ngela Dip) e Francisco Alves (Chachá), que competem por uma única vaga para reencarnar na Terra. Além de propiciar ao público o prazer de ouvir algumas das melhores canções do inesquecível repertório desses ídolos, vale conferir a interpretação de ¶ngela Dip numa impagável Carmem Miranda.
Já "A Filosofia na Alcova" requer um espectador mais corajoso, disposto a mergulhar no universo filosófico do Marquês de Sade. Mesmo o diretor Marcelo Marcus Fonseca admite que ao migrar da Funarte para o corredor do Teatro Oficina, a peça ganhou um novo impacto. Ele interpreta Dolmancé, um libertino que se une a amiga igualmente libertina (Cibele Forjaz) para "educar" uma mocinha de 15 anos (Carolina Ferraz) na arte de liberar a imaginação para soltar os instintos e viver todos os prazeres do corpo.
Para mostrar quanto são frágeis os valores de repressão dos instintos, sexuais e homicidas, introjetados pela educação religiosa, o "instrutor" Dolmancé radicaliza na "deseducação" da menina, sempre filosofando e dirigindo cenas com sodomia, flagelação e bacanais. A radicalidade do texto atraiu Fonseca, que desde sua primeira montagem, "Baal", recusa o que chama um um teatro bonitinho.
"As pessoas continuam a dormir em paz com a miséria e a violência ao seu redor", diz. "Talvez um visão tão radical como a de Sade consiga chamar a atenção sobre a degradação dos valores em à volta." Concepção que não se traduz em teatro interativo. "Respeito a posição de voyeur do espectador." Serviço - Acordes Celestinos. Comédia musical. De José Rubens Chachá. Direção de José Rubens Chachá e Ary França. Duração de 1h40. Sexta e sábado às 20h30; domingo, às 19 h. R$ 10,00. Teatro Arthur Azevedo. Avenida Pais de Barros, 955, tel. 292-8007. Até 12/9 A Bofetada. Comédia. Direção de Fernando Guerreiro. Duração de 2 horas. De quinta a sábado, às 21 h; domingo, às 20 h. R$ 20,00 e R$ 25,00 (sábado). Teatro Imprensa. Rua Jaceguai, 400, tel. 239-4203. Reestreou ontem. A Filosofia na Alcova - Peça Destinada à Educação de Mocinhas. Tragicomédia. De Marquês de Sade. Direção de Marcelo Marcus Fonseca. Duração de 2h30. Sexta e sábado às 21 h; domingo, às 19 h. R$ 15,00. Teatro Oficina. Rua Jaceguai, 520, tel. 3104-0678. Até 9/8


