A boa música entra em cena
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quinta-feira, 02 de julho de 1998
Antônio Mariano Júnior 
Quando o maestro Norton Morozowicz agitar a batuta hoje, às 20h30, mais que reger a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina ele estará abrindo oficialmente o 18º Festival de Música de Londrina. O concerto acontece no Cine-Teatro Ouro Verde e deverá levar um bom público para apreciar a abertura de um dos maiores eventos musicais do Brasil através de um repertório composto por obras de José Siqueira (Cenas do Nordeste), Camargo Guarnieri (Choro para Piano e Orquestra) e Dvorak (Sinfonia nº 8). A entrada é franca.
Mario CesarCaio Pagano é o convidado do concerto desta noite, que abre o Festival de Música de LondrinaNo palco, o maestro irá receber um convidado muito ilustre. É o pianista Caio Pagano, que pela terceira vez se apresenta no FML na condição de solista. Atualmente residindo em Phoenix, Arizona (EUA), o músico sobe ao palco do Cine-Teatro Ouro Verde trazendo todo o seu prestígio adquirido no Brasil e no exterior - ao todo ele realiza de 20 a 40 concertos anuais pelo mundo afora.
Aproveitando uma vaga em sua agenda, Pagano não se fez de rogado e aceitou vir ao 18º FML também na condição de professor. São 18 festivais e aí está uma das chaves do sucesso: a continuidade. A repetição e insistência ensinam o aperfeiçoamento- elogia o pianista que frequentemente se apresenta com as principais orquestras da América e Europa.
A expectativa de público para 18º FML, que prossegue até dia 18 de julho, é a melhor possível. A cúpula se esmerou ao máximo para que toda a cidade participe do evento não apenas nas salas fechadas e também em locais tradicionais (como o anfiteatro do Zerão, por exemplo), mas em espaços alternativos como o Calçadão, empresas, Avenida Saul Elkind (zona norte de Londrina), Concha Acústica e até mesmo no McDonalds.
Mario CesarMagali Kleber, diretora pedagógica, e Marco Veronesi, diretor executivo do FMLQueremos que durante duas semanas a música fique soando pela cidade inteira- diz Norton Morozowicz, diretor artístico do FML, acrescentando que, a exemplo das duas edições anteriores, o destaque do festival será para a música brasileira. Outro destaque será o compositor George Gershwin em seu centenário de nascimento.
O público de Londrina e região poderá assistir a concertos de excepcional qualidade, como o Meridien Arts Ensemble, que se apresentou com muito sucesso no ano passado (amanhã), o Grupo de Percussão do Instituto de Artes da Unesp (dia 6, no Ouro Verde) e a Orquestra de Câmara de Hannover (no dia 16, no Cine-Teatro Ouro Verde). Londrina tem um público muito bom e exigente- reforça Morozowicz.
E ele tem razão. Aos poucos, o londrinense está se acostumando a ir a concertos de música erudita. O FML, claro, abriu caminhos para que o público prestigiasse igualmente outras atrações do gênero existentes em Londrina - Concertos Matinais, Série Crystal Palace, Temporada Ouro Verde da Osuel e concertos didáticos (direcionados a escolas com intuito de formar público), entre outros.
A grandeza do Festival de Música de Londrina é, portanto, indiscutível. E não é artisticamente falando. Na parte didática, não é de hoje que alunos de todo o Brasil e até mesmo do exterior vêm a Londrina para receber aulas com professores de renome nacional e internacional. Todos acorrem ao FML no intuito único de se aperfeiçoar. Nesse ano, o FML estará oferecendo 30 bolsas-hospedagens que serão distribuídas, através de seleção, a alunos de fora no curso de Prática de Banda e Orquestra.
E nesse ponto o evento passa a ter um caráter democrático, já que oferece cursos de qualidade a um preço que pode ser considerado simbólico em relação às escolas particulares. Nesse ano, por exemplo, por R$ 30,00 pode-se optar por dois cursos. Simbólico também será o preço dos ingressos para os concertos em recintos fechados: R$ 3,00 (estudantes, professores e funcionários da UEL têm abatimento de 50%).
O que eu acho importante é que o FML tem uma missão social- resume Magali Kleber, diretora Pedagógica. O Brasil tem vocação musical e paradoxalmente não oferece uma veiculação democrática para quem necessita se aperfeiçoar em música mais elaborada. Vejo o FML como uma forma de compensar isso- completa.
Pelo jeito, o 18º Festival de Música de Londrina também não terá grandes, a exemplo de alguns anos, solavancos financeiros. Dos promotores - Secretarias Municipal e Estadual de Cultura e Universidade Estadual de Londrina - já se pode contar com quase R$ 450 mil em serviços, infra-estrutura e dinheiro.
O restante está sendo captado, através da Associação dos Amigos do Festival de Música, junto à iniciativa privada. Não estamos encontrando grandes dificuldades graças à Lei Municipal de Incentivo e também à Lei Rouanet. Trata-se de uma grandiosa ajuda na viabilização deste tipo de atividade- afirma Marco Veronesi, diretor executivo. Mas, em outras palavras, não estamos recusando dinheiro- brinca ele.


