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James Dean: biografias
a seu respeito têm público cativo

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Brigitte Bardot: mito
dos anos 60 é alvo de eterno interesse

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Clarice Lispector e Carlos Drummond de Andrade: dois introspectivos que também se tornaram objetos de biografias

Os anos 90 começaram ‘‘místicos’’, depois renderam-se à ‘‘auto-ajuda’’. Mas a curiosidade pela vida alheia, revelada no sucesso editorial das biografias, tem fornecido uma outra característica à década. Identificá-la foi a tarefa incumbida a um grupo de pensadores reunidos em torno do Centro de Estudos em Semiótica e Psicanálise, com sede na PUC em São Paulo, e cujas reflexões chegam agora ao grande público no livro Biografia: Sintoma da Cultura (Hacker editores).
Para virar objeto de análise, porém, as biografias tiveram que destronar gurus espirituais e se transformar no segundo gênero literário mais consumido no País ficando abaixo apenas das fórmulas neurolinguísticas de felicidade apregoadas por Lair Ribeiro e seus discípulos. ‘‘Seria isto um sintoma social?’’ - pergunta a psicanalista Fani Hisgail, no texto de abertura do volume, completando em seguida: ‘‘O fato é que, assim como alguns procuram nos livros de auto-ajuda um mestre que lhes diga o que fazer, outros necessitam se identificar com pessoas que ‘deram certo’ na vida’’.
Romance O boom das biografias, aferido há dois anos numa pesquisa da revista Veja, registrou um ritmo alucinante de lançamentos - uma média de um título a cada dois dias - que perdura até hoje. Entre os personagens que tiveram suas vidas devassadas desde a descoberta do filão constam Nelson Rodrigues, Garrincha, Assis Chateubriand, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Henfil, João Cabral de Mello Neto, Manuel Bandeira, Olga Benário, Isaac Newton, James Dean, Marcel Proust, Brigitte Bardot, Galileu Galilei, Walt Disney, André Malraux, Cazuza, Cacilda Becker, Glauber Rocha, Che Guevara, Tom Jobin e uma infinidade de outros cuja menção preencheria esta página inteira.
Como explicar esse sucesso editorial? Muitos apontam como causa a necessidade do público pela narrativa tradicional, que não estaria sendo suprida pela ficção atual, contaminada por malabarismos de linguagem herdados das vanguardas modernistas. A biografia, no caso, estaria substituindo o romance clássico no gosto coletivo ao respeitar a cronologia do personagem contando uma história com começo, meio e fim da forma mais descomplicada possível.
Disciplinas ‘‘A biografia está para o romance como a foto para o quadro ou o desenho’’ - assinala em outro artigo do livro o poeta e ensaísta Décio Pignatari, que lança mão das ferramentas da semiótica para examinar o gênero. A ciência dos signos, aliás, comparece municiando outros autores na coletânea ao lado da psicanálise, da história, da literatura e da filosofia.
Francamente, quem está viciado na leveza das narrativas biográficas, pode sofrer aqui um ataque de indigestão teórica.

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