A julgar pelos convidados estrangeiros com presença confirmada na 17ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, não serão suficientes corredores, a cidade precisará de trincheiras. Personagens da nova ordem mundial, os autores chegam para o evento que começa dia 25 de abril armados com idéias e experiências vividas no centro das atenções contemporâneas, o Oriente.
Um deles é a chinesa Wei Hui, que teve seu ‘‘Shangai Baby’’ banido do país e 40 mil cópias do romance queimadas em praça pública em abril de 2000. O livro, que será lançado pela editora Globo, conta a vida de Coco, uma jovem chinesa de 25 anos que frequenta o submundo de Xangai.
Outro é Tariq Ali, autor do recém-lançado ‘‘A Mulher de Pedra’’, em que aborda a decadência do Império Otomano de um ponto de vista feminino. Aqui, o paquistanês apresenta ‘‘Confronto de Fundamentalismos’’ (Record).
O livro é um dos raros momentos de não-ficção deste autor, em que analisa as consequências do embate entre islamismo e imperialismo norte-americano após os atentados de 11 de setembro.
Do Afeganistão, vêm a história de ‘‘Terra e Cinzas’’ (Estação Liberdade) e seu autor, exilado em Paris desde 1984, Atiq Rahimi.
Mas o evento deve mesmo esquentar com o francês Michel Houellebecq e seu recente ‘‘A Plataforma’’ (Record). A história, que tem como protagonista um turista sexual francês, ocupou páginas da mídia mundial quando foi lançado no ano passado. Seu segredo já estava esboçado no livro anterior, ‘‘Partículas Elementares’’ (Sulina): a polêmica.
Depois de ir contra os ícones da contracultura dos anos 60, Houellebecq agora ataca o islamismo, entre outras coisas. ‘‘O Islã é a religião mais estúpida que hᒒ, declarou em entrevista ao site Lire. Fez amigos e inimigos com suas idéias e virou astro pop na França.
Longe dos holofotes populares, o filósofo francês Jean Baudrillard traz ‘‘A Troca Impossível’’ (Nova Fronteira), em que propõe uma leitura diferente do embate entre o racional e a incerteza.
Visitam ainda o Brasil, a iraniana radicada nos EUA Gina Nahai, autora de ‘‘Moonlight on the Avenue of Faith’’ e ‘‘Cry of the Peacock’’, e o escritor italiano Andrea de Carlo, sucesso entre o público jovem, autor de ‘‘Trem de Nata’’ (Berlendis & Vertecchia).
Sem a presença do autor, o grande destaque da Bienal no gênero pop é mesmo o esperado e aclamado pela mídia ‘‘How to Be Good’’ (Rocco), de Nick Hornby. Esta é a quarta obra do britânico que já teve o seu ‘‘Alta Fidelidade’’ adaptado para as telas. Seu lançamento em Londres, no ano passado, teve ar de ritual, com direito a leitura de trechos do livro pelo escritor no altar de uma igreja.
Embora a programação ainda não esteja definida para os autores nacionais, a organização da Bienal já confirmou a presença, entre outros, de Marcelo Rubens Paiva, de Fernando Bonassi, Marilene Felinto e Marcelo Coelho. Eles devem estar no Salão de Idéias, espaço de encontro entre autores e público.
A Bienal prepara ainda eventos em comemoração aos 120 anos de Monteiro Lobato e aos centenários de Carlos Drummond de Andrade e de Cecília Meireles.

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