ReproduçãoDepois de dois dias de muitos negócios, a 15ª Bienal Internacional do Livro, que acontece na Expo Center Norte, em São Paulo, até o dia 10, abre hoje para o público e se transforma em uma grande festa. Se, até ontem, o tom do evento era calmo e controlado, com os profissionais do livro analisando as melhores aquisições e investimentos, hoje espera-se muita agitação e uma certa correria. Afinal, o paulistano que não aproveitou o feriado prolongado para viajar sabe que a Bienal é o melhor passeio que pode fazer com a família nestes dias, por aqui.
Na edição passada, realizada em 96, cerca de 1,4 milhão de pessoas passaram pelos pavilhões da Expo Center Norte. Este ano, a expectativa dos organizadores é que este número se repita. Não deve ser díficil. A Bienal está espalhada por toda a grande São Paulo. Parece que, neste período, respira-se livros junto com o ar - nem sempre puro - da cidade.
E para receber todo este público e, o que é mais importante, prender sua atenção, alguns expositores estão apostando em atrações extras, além dos próprios livros. Quase todos, é lógico, estarão garantindo a presença de autores para sessões de autógrafos, que acontecerão durante todo o evento.
As grandes editoras, além de apostar no visual caprichado de seus estandes - tem até uma nave espacial no da FTD, localizado no Pavilhão Vermelho - criaram também espaços próprios para eventos paralelos. O que transforma a Bienal em uma grande festa.
A Ática, por exemplo, criou um miniteatro de arena, ‘‘O Planeta das Histórias’’, onde, todos os dias, com exceção do dia 6, equipes de ‘‘contadores de histórias’’ estarão entretendo a gurizada com histórias, brincadeiras e atividades diversas. As sessões com as crianças serão realizadas em dois horários: das 11 às 13 horas e das 15 às 17 horas. No dia 6 não haverá atividades porque será realizado o debate sobre ‘‘Aids e Adolescência’’, com Valéria Polizzi, autora do livro ‘‘Depois daquela viagem’’. A editora está também com um telão onde são exibidos clips, sem interrupção. Seu estande fica no Pavilhão Azul e é um dos maiores deste evento.
A Paulinas também preparou um espaço especial para as crianças brincarem em seu estande, no Pavilhão Verde. Chamado de ‘‘Fábrica de Personagens’’, o espaço vai ter a ‘‘Turma do Barulho’’ entretendo a criançada o dia inteiro, até o final do evento, com diversas atividades. Autores infantis também vão dar autógrafos e conversar com os pequenos, em programação especial que começa amanhã, com o lançamento de um CD, e vai até dia 10.
A editora Melhoramentos - que tem um dos maiores estandes desta Bienal, localizado no Pavilhão Verde - diversificou suas atividades. Além de contadores de histórias, colocou à disposição 10 computadores com seus novos lançamentos em CD-ROM para que o público divirta-se e, é claro, conheça-os.
Já o estande da livraria Devir, especializada em História em Quadrinhos e jogos tipo RPG, vai conquistar adolescentes de todas as idades. Apostando no carro-chefe da casa, o jogo de estratégia ‘‘Magic - The Gathering’’, está promovendo demonstrações audiovisuais do jogo, em uma ‘‘mini-sala de cinema’’. Uma televisão de 50 polegadas transmite a animação de um CD-ROM. As sessões duram 15 minutos e serão realizadas o dia inteiro. Depois de assistir à demonstração, o público pode inclusive aprender a jogar em uma das várias mesas espalhadas pelo estande. Instrutores estarão dando as dicas sobre este e outros jogos, inclusive o RPG. O estande da Devir fica no Pavilhão Azul.
De todos os 815 expositores, porém, quem mais investiu na chamada ‘‘linha de shows’’ foi a editora Moderna. A partir de hoje, shows de mágica, dançarinos, contadores de histórias, maquiadores artísticos, escultores de balões, dança do ventre e sósias de mestres da pintura - como Salvador Dali, Michelangelo, Picasso e Monet - estarão agitando seu estande. A programação é intensa e variada, durando praticamente o dia inteiro a partir das 11 horas, com atividades diferentes de meia em meia hora.
Além disto, o público pode ver uma exposição de pinturas de diversos artistas no estande da Marco Marcovitch. A título de curiosidade, uma mostra de capas de livros de Jorge Amado, editados no mundo inteiro, está no estande da Relume Dumará, também no Pavilhão Azul. Ao todo são 150 capas de livros de países como Rússia, Macedônia, Japão, etc. É interessante notar as diferentes concepções que cada país faz dos assuntos baianos tratados nas obras de Amado. Há, inclusive, uma Gabriela turca, de pele alva, olhos amendoados e cabelos pretos lisos.

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