A beleza não
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domingo, 22 de fevereiro de 1998
Da Redação 
ReproduçãoMorro do PicoO ponto mais alto do arquipélago de Fernando de Noronha se ergue 321 metros acima do nível do marA 545 quilômetros do Recife, oceano a dentro, um rico e belíssimo santuário ecológico emerge das águas do Atlântico. O mar azul matizado de verde-esmeralda junto às ilhas chama para um mergulho nas águas de um lugar único e encantado. Não parece real, de tão verdadeiro. E tanta beleza não deve nada a todas as maravilhas que já se viu acima e abaixo da superfície das águas em qualquer um dos oceanos.
Estamos em Fernando de Noronha. Esse arquipélago - que já foi parada obrigatória de piratas na vida real, mas serviria muito bem de refúgio ao capitão Gancho, se a Disney Productions quisesse e pudesse - fica no topo de uma montanha submarina cuja base está a 4 mil metros de profundidade. Suas águas são tão claras que a visão de um mergulhador pode alcançar até 50 metros. A lâmina dágua é das mais claras, limpas e coloridas do mundo.
Descoberto em 1503 por Américo Vespúcio, Fernando de Noronha tem 21 ilhas e ilhotas rochosas. Depois de passar pela mão de franceses, holandeses e portugueses, toda essa beleza virou, primeiro, presídio político brasileiro, depois base militar norte-americana cedida pelo Brasil e, por último, distrito federal. Hoje pertence ao Estado de Pernambuco.
Ali vivem pouco mais de 2 mil pessoas, concentradas na ilha principal, de 17 quilômetros quadrados e 21 praias. Nas temporadas de turismo, essa população cresce para 2.420 pessoas. É porque só são permitidos 420 visitantes de cada vez. Em compensação, qualquer hora é hora de ir para Fernando de Noronha, onde o verão dura o ano inteiro.
ReproduçãoNão é preciso mergulhar para ver os golfinhos. O balé aquático dos rotadores, símbolo do arquipélago, pode ser visto do mirante sobre a Baía dos Golfinhos.
Colar de corais O ponto mais alto das ilhas é o Morro do Pico, que se ergue 321 metros acima do nível do mar. A montanha, verde e rochosa, pode ser escalada por escadas de ferro encravadas nas rochas. A subida é perigosa e proibida aos visitantes comuns. Mas quem não quer correr riscos vai ficar feliz da vida fazendo caminhadas, cavalgadas ou passeios de buggy pelas vilas e de barco pelas ilhas.
Para baixo, um colar de corais espera os mergulhadores. Das 18 espécies de corais existentes no Brasil, 15 podem ser encontradas em Fernando de Noronha. Nesse ninho de vida oceânica vivem peixes tão grandes quanto golfinhos e tão pequenos quanto peixinhos ornamentais. Além de tartarugas, algas, esponjas e dezenas de espécies da flora aquática. Mas não é preciso mergulhar para ver os golfinhos. O balé aquático dos rotadores, símbolo do arquipélago, pode ser visto do mirante sobre a Baía dos Golfinhos.
Pescarias, é claro, não podiam faltar. São permitidas a pesca artesanal e a pesca esportiva oceânica. Os barcos podem ser alugados na ilha, assim como os equipamentos para mergulho, os buggies etc. A ilha também tem supermercado, banco, bares e restaurantes.
Para toda essa beleza, as vagas são limitadas: uma norma do governo de Pernambuco estabelece que a ilha só pode hospedar 420 turistas ao mesmo tempo. Eles podem ficar quanto tempo quiserem. Só é preciso pagar, no desembarque, uma taxa proporcional ao tempo da estada. O limite no número de visitantes é para preservar a beleza e a paz das ilhas. A taxa - R$ 17,00 por dia - é para a conservação do santuário. E porque o número de vagas é limitado, a viagem deve ser planejada com boa antecedência.


