A beleza da voz feminina e sua sonoridade motivaram a regente de coro e professora de música Heloiza Branco a criar um grupo vocal composto apenas por mulheres. Projeto antigo da regente que encontrou abrigo na Usina Cultural, o grupo tem uma proposta diferente: não se trata de um coro nos moldes tradicionais, mas de um grupo mais livre, cuja construção está sendo feita em conjunto. ''Por enquanto, estamos desenvolvendo a voz delas. Lá na frente vamos ver o que vai rolar, à medida que o grupo for se consolidando'', explica a professora.
Criado em setembro do ano passado, o ''usinavoz'' (assim com o u minúsculo, mesmo) ainda está aberto a novas integrantes que queiram desenvolver a voz cantada. O único requisito é ter idade mínima de 15 anos. As aulas, que são gratuitas e acontecem todos os sábados, das 15 às 17 horas, são marcadas por um clima de alegria e descontração. ''É para as meninas saírem daqui energizadas e contentes'', explica a musicista.
A professora vale-se de exercícios corporais para facilitar o aprendizado musical. As alunas são incentivadas a sentir com o próprio organismo o ritmo e as notas musicais, acompanhando-os fisicamente - caminhando para a frente e para trás conforme as notas sobem e descem, por exemplo. Heloiza também utiliza exercícios vocais para então trabalhar com o repertório específico, composto por músicas populares. ''No momento, estamos trabalhando com uma seleção de canções com nomes de mulheres'', conta.
Futuramente, quando o usinavoz já estiver mais consolidado, a ideia é realizar apresentações para mostrar os resultados desse crescimento conjunto. Mas, muito mais do que se mostrar ao público, o que este grupo de ''meninas'' (modo carinhoso como a professora refere-se a suas alunas) quer é ir se descobrindo e se encantando consigo mesmas. ''Quando canta, você faz um trabalho que é muito mais de autoconhecimento, de percepção corporal'', comenta a regente, observando que os benefícios são físicos e psicológicos. ''É um ato que beira a completude, um prazer. Você não vai resolver seus problemas cantando, mas é uma atividade lúdica para gerar bem-estar'', define.
Ao cantarem juntas, as cerca de 15 mulheres que compõem o grupo atualmente criam uma intimidade diferente, eliminando-se as diferenças e gerando uma empatia natural. ''Você não sente diferença de idade, todo mundo está unido pela música'', opina a webdesigner Solange Pauletti Lorenzo.
Esse clima de igualdade contribuiu para gerar no usinavoz uma peculiaridade interessante: dentre as integrantes, há várias mães e filhas participando juntas. A própria Solange levou a filha, Mariana, 19 anos. ''Gosto de cantar, mas não sabia usar a técnica. Então a minha mãe me trouxe'', comenta a jovem, com a naturalidade de quem já está habituada a compartilhar as atividades com a mãe. ''Saímos juntas, participamos muito uma da vida da outra'', explica Solange.
O mesmo ocorreu com a atriz Adelita Siqueira, 31 anos e sua mãe: ambas resolveram estender o convívio diário (Adelita ajuda a mãe, que é artista plástica, no trabalho) e iniciar juntas as aulas - a diferença é que a filha já tem um certo preparo. ''Participo de bandas, já fiz cursos de técnica vocal. Mas cantar em grupo é diferente'', compara.
Cantar em grupo e só entre mulheres é, para a coordenadora administrativa do usinavoz, Ana Mischiatti, muito mais diferente do que se pensa. ''Isso cria uma identidade feminina única'', observa. Ana também entrou para o grupo em busca do autoaprimoramento pela música, e gostou. ''A aula não é parada, é cênica. Você se solta, o corpo todo canta'', revela, ao que Solange complementa: ''Não imaginava que nosso corpo fosse um instrumento tão poderoso.''

Serviço
As interessadas em integrar o usinavoz podem ligar para (43) 3324-7531 ou 3327-7810

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