A beleza do cânion do São Francisco
Para quem costuma pensar no Nordeste apenas como um paraíso litorâneo, o potencial turístico do Cânion do São Francisco é uma grata surpresa. A região é um raro exemplo de como a mão do homem pode intervir em favor da natureza.
O que antes era um vale árido com um pequeno rio correndo entre gigantescos paredões rochosos, agora transformou-se em um dos mais belos cartões postais do país. Com a construção das usinas hidrelétricas de Xingó e Paulo Afonso, bem na divisa dos estados de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Bahia, a geografia local ganhou um lago de proporções faraônicas e 60 quilômetros de águas navegáveis, com profundidade média de 70 metros.
A visão é cinematográfica. Não foi por outro motivo, aliás, que os diretores Lírio Ferreira e Paulo Caldas incluíram na cena de abertura do seu premiadíssimo filme Baile Perfumado impressionantes tomadas aéreas da região. Bromélias, orquídeas e cactus colorem a vegetação semi-árida do cânion, que entrou para a História por ter sido utilizado centenas de vezes como rota de fuga dos cangaceiros.
Virgulino Lampião foi morto numa emboscada não muito longe dali, na Grota de Angicos (tudo isso está registrado no Museu do Sertão, na cidade vizinha de Piranhas, em Alagoas, onde se concentra o maior acervo de objetos pertencentes ao Rei do Cangaço e seu bando).
O Cânion do São Francisco em nada fica a dever ao seu correlato americano, o famoso Grand Canyon, seja em beleza ou em potencial turístico. A Chesf (Centrais Hidro Elétricas do São Francisco) que estimular cada vez mais atrair a atenção dos turistas para a região. E atrativos não faltam. A Cachoeira de Paulo Afonso, que traz encravada em seu desfiladeiro a primeira usina construída no país (pelo visionário Delmiro Gouvêia, em 1913), seduziu de D. Pedro II ao poeta baiano Castro Alves, cuja estátua observa, do outro lado do cânion, a queda das águas sobre o vale.
Ossadas de cerca de 3 mil anos, ferramentas e objetos antigos, encontrados nos sítios arqueológicos de Jerimum e Justino, podem ser vistos no Laboratório de Arqueologia, localizado na barragem de Xingó. A reserva ecológica do Raso da Catarina e o o Baixo do Chico, onde se situa a tribo indígena dos Pankararu, também são preciosidades que enriquecem a paisagem e a cultura locais.
TOME NOTADivulgaçãoPaulo Afonso e Xingó transformaram o vale em um dos mais belos cartões postais do paísDa Redação





