France PresseIsabelle Adjani: a presidente do júri de Cannes é uma das atrizes mais premiadas da FrançaPARIS - A atriz francesa Isabelle Adjani, presidente do júri do quinquagésimo Festival Internacional de Cinema de Cannes, que começou ontem, espera coroar no dia 18 de maio ‘‘uma obra cheia de encanto’’.
No seu entender, a Palma de Ouro deveria coroar a obra ‘‘mais surpreendente e acessível, uma obra abençoada pelo encanto, pela ingeligência e pelo talento. Uma grande obra é aquela que reconhecemos, mas que jamais vimos antes. É a descoberta e o reconhecimento, o que ao mesmo tempo produz uma emoção artística, a abertura da consciência no ser humano’’.
Adjani, que logo completará 42 anos, é uma das estrelas mais premiadas do cinema francês. Duas vezes foi premiada em Cannes em 1981 e quatro vezes premiada com o César francês. Também foi recompensada nos Estados Unidos nos anos 70 com vários prêmios da crítica.
Ao seu redor, reuniu um júri eclético e muito internacional, no qual figuram os diretores de cinema britânico Mike Leigh e o italiano Nanni Moretti, assim como os escritores norte-americano Paul Auster e o singalês-canadense Michael Ondaatje.
‘‘Meu desejo teria sido convidar (a militante argelina dos direitos da mulher) Jalina Messaudi e também Salman Rushdie’’, confessou. Entretanto, o delegado geral do Festival, Gilles Jacob, ‘‘não queria que houvesse pessoas muito comprometidas politicamente’’, já que ‘‘temia ações terroristas’’, explicou Adjani.
Sem documentos Esta francesa instalada na Suíça, filha de pai argelino e mãe alemã, não esconde seu compromisso pessoal. Adjani apóia os imigrantes não-documentados na França, que durante os últimos meses organizaram várias manifestações para obter sua regularização.
‘‘Eu senti a injustiça, e embora meu pai tenha morrido há 14 anos, continuo sentindo seu desamparo, sua profunda falta de integração, a rejeição social’’, disse.
Isabelle Adjani se nega a denunciar a hegemonia do cinema norte-americano, assegurando que ‘‘quando você é bom, quando tem talento, ninguém pode ameaçá-lo’’. No seu entender, o diretor francês de ‘‘La Haine’’ (‘‘O Ódio’’), Matthieu Kassovitz, consegue atravessar esta fronteira.
Em seu papel de presidente do júri de Cannes, lhe interessa fundamentalmente ‘‘a reunião com outros artistas do mundo inteiro, um trabalho real de atenção, de abertura, de amor, de conhecimento com os autores e os atores’’.
A estrela, cuja tumultuada relação com o ator Daniel Day Lewis, o pai de um de seus filhos, foi acompanhada de perto pela imprensa, afirma que enfrentará com serenidade os assaltos dos ‘‘paparazzi’’, entre os quais sempre ‘‘cruza o olhar de alguém conhecido’’.
Para seus trajes de gala, Isabelle Adjani escolheu Christian Dior, ‘‘desde a abertura do Festival até o encerramento’’.

mockup