Fernando Sampaio/AENa Bolívia, as riquezas naturais são únicas formando cenários de extraordinário encantamentoA Bolívia é um daqueles lugares que guarda uma surpresa em cada esquina. A viagem deve ser muito bem programada, para que locais importantes não deixem de ser visitados. A herança pré-colombiana e européia ainda vibra nas ruas e picos nevados do Altiplano. As riquezas naturais são tão únicas quanto dispares, formando, muitas vezes, cenários de extraordinário encantamento. Localizado na região central da América do Sul, e entre os picos mais elevados da cordilheira andina, o país apresenta três distintas zonas de diversidade geográfica e climática: os picos nevados, os vales férteis e as florestas tropicais.
O ponto de partida da maioria dos roteiros turísticos é La Paz, tida como a capital mais alta do planeta, com 3.700 metros de altitude. Por isso, é difícil o turista que não sofre com o mal das alturas ou, como se diz lá, ‘‘saroche’’. Para atenuar o efeitos do ar rarefeito a dica é o chá de folhas de coca. Esta erva pode ser comprada nos mercados da região.
Aliás, os mercados indígenas são um capítulo à parte. Os visitantes costumam lotar esses lugares, que oferecem uma infinidade de novidades para quem vem de fora. Roupas, ponchos tecidos à mão, gravuras e o exemplares do artesanato indígena são alguns dos itens comercializados. O ideal mesmo é ir até o mercado, comprar o chá, tomar e depois voltar para conhecer tudo. Isso porque estes mercados se estendem por ruas íngremes e quem não está acostumado com a altitude sofre com o menor esforço físico.
A cidade também desperta a atenção pelos contrastes que apresenta. Um exemplo claro disto é a arquitetura local. As construções antigas mesclam estilos espanhóis e europeus. E o moderno está retratado através dos arranha-céus. Podemos citar também o grande desnível social entre os habitantes.
O nome original da cidade é Nuestra Senõra de La Paz. Foi fundada em 1548, e está rodeada por picos nevados. La Paz ostenta surpreendentes paisagens lunares, que podem ser vistas no Vale de La Luna, com 150 quilômetros de cânions em miniatura. Outro programa bem interessante é ir até o centro arqueológico de Tiwanaku. Lá estão abrigadas as ruínas da cultura Aymara, uma civilização pré-incaica.
RuínasAntes de conhecer Tiwanaku, no entanto, é legal dar uma parada em Chacaltaya, famosa por ser a pista de esqui mais alta do mundo, localizada na montanha que leva o mesmo nome, com 5.700 metros de altitude. Mesmo para quem não tem o interesse de esquiar o lugar é atraente, pois a vista que se tem do alto é absolutamente magnífica e merece lugar especial no álbum de fotografias. Pode-se atingir o topo de ônibus, táxi ou de carona. Lá em cima é muito frio, mas logo se esquece isto quando se pára para observar a visão panorâmica que inclui o gigantesco lago Titicaca e o vale onde está La Paz.
Tiwanaku está a 72 quilômetros de La Paz, nas margens sul do lago Titicaca. O valor histórico das ruínas pré-colombianas da região é enorme. Um exemplo são as ruínas de Kantat Hallita, habitadas pelos arquitetos de Tiwanaku. A fortaleza, construída com blocos de até 100 toneladas desperta curiosidade e mistério. Não se sabe como os homens da época, que não conheciam a roda ou o ferro, levaram estes enormes blocos de pedra até lá. Cogita-se que eles teriam sido transportados por alienígenas ou simplesmente em jangadas, na época de cheia do lago.
O templo de Kalasasaya é exuberante. Algumas esculturas em enormes monolitos de pedra lembram um passado místico. Na parte de trás do templo pode-se avistar a maravilhosa Porta do Sol, que possívelmente era coberta de ouro. O deus-sol Inti também mereceu uma bela escultura, hoje com uma significativa rachadura ao meio. Os moradores de lá falam o castelhano e o aymara, são bem simpáticos e hospitaleiros.
Também agradável é fazer um pequeno cruzeiro até Huatajata, visitar as ilhas de Suriki e a do Sol. Nesta última, segundo uma lenda contada pelos habitantes da região, Manco Kapac e Mama Oclio fundaram o poderoso império inca.
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