A batalha no dia-a-dia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de março de 2002
Francelino França<br>Reportagem Local 
A democratização da informatização se tornou uma das lutas de Rosalina Batista, 53 anos, líder comunitária integrante da Associação das Mulheres Batalhadoras. Ela coordena um projeto ousado no setor de inserção social, a Biblioteca Virtual Comunitária, que recebeu U$ 50 mil da Fundação W. Kellogg, dos Estados Unidos, em meio a outros 800 projetos. A proposta teve elaboração conjunta com o sociólogo Fernando Franzoi e o prédio está em fase de finalização em Londrina.
A idéia maior da Biblioteca Virtual é trabalhar um portal onde se busca informação sobre tudo o que é produzido na comunidade. A academia se apropria do saber da população e quando trazem de volta para a comunidade a linguagem é diferente, avalia. O local será dotado de 20 computadores ligados em rede, para oferecer capacitação na área, mais as informações sobre o que é produzido na localidade. Além disso, como explica Rosalina, funcionará um bureau de prestação de serviços à comunidade, com mais cinco máquinas.
Quando germinou a idéia da Biblioteca Virtual, Rosalina Batista foi alvo de críticas e dúvidas sobre a viabilidade do projeto. Eles me diziam que muitos não sabiam nem ler, nem escrever, porque trazer uma escola de graduação tão alta na comunidade?, relembra. Hoje, a comunidade de 12 mil habitantes já absorveu a idéia.
Agora, outras propostas na área de cultura vem se agregar à Biblioteca Virtual, como o Vídeo Cidadão, de Luciano Pascoal. Ainda na edificação, funcionará uma TV Comunitária e um Laboratório para treinamento de auxiliares domésticas. Eu desafio qualquer um a dizer que não faz algo porque não tem dinheiro ou patrocínio. O dinheiro não cai na tua mão por acaso. É preciso ter propostas e projetos. É preciso ter sonho e coragem de lutar, destaca. Rosalina Batista faz curso de alfabetização, mas a articulação e a politização dá aula em qualquer um com diploma na parede e anel no dedo.
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Albari Rosa
Maria Angela Biscaia não gosta de levantar bandeiras feministas mas detesta preconceitos
A malabarista das artes
Maria Angela Biscaia tem pouco mais de 40 anos. Parece que tem 20 e poucos. Sua sutileza no falar e no se expressar não acusam a grande artista que está por trás da frágil imagem. Artista plástica, desenhista e amante da arte, ela vive para o que mais acredita. Para mim a arte é um exercício de autoconhecimento.
Seu trabalho já ganha espaço em galerias de arte há algum tempo. São mulheres rabiscadas, mãos, há uso de óleo diesel, fotos raspadas. Quem vê sua expressividade no papel, enxerga um malabarismo de idéias. Expressões que saltam aos olhos até dos leigos. É tudo uma jogada da artista nascida em Primeiro de Maio, uma pequena cidade perto de Londrina.
O trabalho da artista, definida por ela mesma, como um processo de autoconhecimento, não é uma busca pelo reconhecimento de outras pessoas. Para ela, o mais importante é deixar extravasar o que vê a cada instante de sua vida. As vezes acho que sei mais ver do que fazer. Esta visão é cada vez melhor e mais forte.
Esta atitude de ver e brincar de se conhecer é passada de uma forma muito forte no trabalho da artista. Mesmo sem levantar bandeiras de nada, Maria Angela é uma mulher de princípios. Odeia preconceitos de qualquer espécie e acredita que a mulher passa por um momento de grande colocação no mercado e na vida cotidiana. Acho que o fato das mulheres terem ficado anos caladas talvez tenha as deixado mais fortes, conta.
Casada com outro artista, um desenhista conhecido em Curitiba, Maria Angela aproveita para exercitar a liberdade de expressão, tão necessária para manter um relacionamento. Segundo ela, não há interferência no trabalho de ambos. Pelo contrário, um admira o que o outro faz e sempre se surpreende com o que o outro está fazendo. Talvez seja esse um caminho bom para ser mostrado numa época onde as mulheres já conquistaram muita independência mas ainda enfrentam alguns remanescentes do tempo das cavernas a interferirem em suas vidas.(Ana Clara Garmendia/ De Curitiba)


