Gilson de AbreuDestaque da Escola de Samba Embaixadores da Alegria: luxo no carnaval de Curitiba para encher os olhos do públicoBrigas e acusações mútuas dividiram o carnaval de rua curitibano. No sábado, apresentaram-se as seis escolas associadas à Liga e à Federação das Escolas de Samba. No domingo, foi a vez do grupo ligado à Associação das Escolas de Samba de Curitiba, com sete escolas. O resultado é que não haverá um campeão geral dos desfiles.
Apesar do conflito, a programação atraiu muita gente. A Polícia Militar estima que mais de 20 mil pessoas foram prestigiar os desfiles em cada um dos dias. No sábado, os destaques ficaram para a estréia da Escola Bom à Beça, ligada aos evangélicos, a Mocidade Azul e a Embaixadores da Alegria, campeã do ano passado.
Os evangélicos da Bom À Beça transformaram hinos em samba. O enredo ‘‘Luz e Sombras’’ fez inúmeras referências à bíblia, chegando a empolgar o público. No final do desfile, foi improvisado um culto. A organização do desfile achou que era demais. Interrompeu a ‘cerimônia’ para evitar atrasos e para não comprometer a animação carnavalesca.
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A Mocidade Azul e a Embaixadores da Alegria são tradicionais rivais do carnaval de rua de Curitiba e dividiram a preferência do público. A Embaixadores trouxe as fantasias e os carros mais luxuosos, enquanto a Mocidade trouxe mais alegria e sambistas mais ágeis.
No desfile de domingo, duas foram as atrações: a Escola de Samba Colorado, eleita a melhor, com o enredo ‘‘Cantos, Contas e Encantos’’, e a Tradição Rubro-Negra, que ficou em segundo, com o enredo dedicado à Vila Velha.
Acabou a alegria Este carnaval vai entrar para a história em Curitiba e não é por causa da animação. 97 deve ser o último ano em que parte da festa é bancada pelos contribuintes. Por culpa - ou será por graça ? - da crise econômica e de desentendimentos entre os representantes das escolas de samba, a prefeitura anunciou a suspensão das verbas para escolas. Neste ano, a despesa chegou a R$ 130 mil. A partir de agora, os carnavalescos terão que se associar à iniciativa privada.
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A quantia total destinada às escolas (R$ 130 mil este ano) é suficiente para a construção de duas creches, ou pagar um bloco de 100 funcionários que ganham salário mínimo durante quase um ano. A prefeitura estudará a possibilidade das escolas de samba serem auxiliadas através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, que beneficia projetos culturais através da renúncia fiscal. Isso facilitaria o acesso ao patrocínio privado.
Cada escola de samba que desfilou em Curitiba recebeu da prefeitura R$ 10 mil. O dinheiro demorou a sair por dois motivos. Primeiro por causa da troca de prefeito. Segundo por conta da briga interna entre os representantes dos carnavalescos. O desentendimento acabou dividindo o desfile que por pouco não foi suspenso. A confusão resultará em mudanças no carnaval dos próximos anos.
Clubes A corrida ao litoral, este ano, enfraqueceu a festa nos clubes de Curitiba. A opção cada vez maior pela folia na praia reduziu o movimento nos bailes. Os dois maiores clubes que ainda fazem bailes de carnaval, o Paraná e o Santa Mônica, sentiram a diminuição do fluxo de pessoas em seus bailes.
Mesmo assim, as diretorias dos dois clubes garantem que não há possibilidade de suspensão dos bailes. ‘‘Os associados têm direito à festa’’, garantiu o diretor de Relação Públicas do Santa Mônica, Eugênio Stefanello.

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