A balada de Imamura
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de novembro de 2000
Celso Mattos De Londrina 
A Enguia é o décimo sétimo filme do cineasta japonês Shohei Imamura, que se tornou conhecido no Ocidente por A Balada de Narayama, ganhador da Palma de Ouro, em 1983. O filme, produzido em 1997, chega às locadoras com dois anos de atraso. No Festival de Cannes de 1997, A Enguia dividiu a Palma de Ouro com o iraniano Gosto de Cereja, que saiu em vídeo há mais de um ano.
Mas nunca é tarde para assistir a uma obra deste cineasta tão peculiar. A exemplo de A Balada de Narayama, este último trabalho de Imamura é feito de pequenas observações do cotidiano. Yamashita (Koji Yakusho) sai da prisão oito anos depois de ter matado a mulher adúltera. Na sua nova vida em uma aldeia de pescadores, ele conhece Keiko (Misa Shimizu) que faz o amor surgir para ele como uma nova perspectiva de felicidade. Mas o medo de reviver o pesadelo do passado dificulta um novo relacionamento.
Explorando de forma peculiar as barreiras construídas pelo ser humano, Imamura fez um filme simples, mas emocionante. A Enguia retrata com muita propriedade a angústia de Yamashita, que está sempre questionando se a carta com a denúncia da infidelidade da mulher existiu ou foi apenas uma invenção doentia dele. Como foi possível assassinar a mulher que amava e como seria possível viver com a lembrança do crime?
É a partir destes questionamentos que Imamura fornece ao espectador um brilhante estudo dos conflitos humanos. Mesmo não sendo tão amargo e bonito quanto A Balada de Narayama, o filme é um exercício de cinema, e dos bons. Lançamento da Cannes. Duração: 117 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
ReproduçãoDirigido por Zeffirelli, o filme traz no elenco Judi Denchi, Maggie Smith e Joan Plowright
Chá com Mussolini
Depois de um bom tempo longe do set, o veterano Franco Zeffirelli volta a contar uma história de época. Em Chá com Mussolini, ele reúne um elenco de grandes atrizes como Judi Denchi, Joan Plowright e Maggie Smith para contar uma história passada no final da década de 30, quando a Itália vivia a ascenção do fascismo.
Todo rodado em Florença, o filme mostra as três mulheres vivendo toda a cultura da época, mas essa rotina é alterada com a chegada do garoto Luca, adotado por uma delas. Chá com Mussolini acompanha o dia-a-dia das mulheres com extrema sensibilidade, até a chegada da Segunda Guerra, quando todas vão para o xilindró. É quando Luca, agora adolescente e membro da Resistência, tenta retribuir a elas toda ajuda que recebeu na infância.
Um filme discreto, às vezes, lento demais, mas muito sensível. A fita se destaca pela primorosa direção de arte e pela vigorosa interpretação das três atrizes. Lançamento da CIC. Duração: 116 minutos.
ReproduçãoFilme mostra pessoas simples tentando entender suas fraquezas e fantasias
Dr. Mumford
Disponível nas locadoras há uns dois meses, Dr. Mumford foi totalmente ignorado pelo espectador (inclusive, por mim, o que é imperdoável). O filme chegou às locadoras na mesma época dos oscarizados deste ano e, por isso, foi menosprezado. Entre tantas outras fitas de peso e com uma constelação de estrelas no elenco, Dr. Mumford está condenado a criar teia de aranha nas prateleiras das locadoras, mesmo tendo a assinatura de Lawrence Kasdan.
Para quem não se lembra muito bem quem é esse cara, vale dizer que ele fez Silverado, Grand Canyon Ansiedade de uma Geração e Reencontro. O filme conta a história do psicanalista que se instala em uma pequena cidade e passa a conhecer os segredos de seus moradores. Mas quando ele se apaixona por uma de suas pacientes, é que vem à tona o seu grande segredo. Dr. Mumford é um filme simples e lento, mas carregado de humanismo. Kasdan mostra com extrema sensibilidade a forma como cada personagens lida com suas fraquezas e fantasias.Lançamento da Home Vídeo. Duração: 110 minutos.


